segunda-feira, 2 de abril de 2018

Dossiê Serra da Barriga, Parte Mais Alcantilada – Quilombo dos Palmares.


A publicação traz o conteúdo da pesquisa sobre a Serra da Barriga, em União dos Palmares (AL), reconhecida como Patrimônio Cultural do MERCOSUL, desde 2017. O estudo foi realizado em parceria pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Fundação Cultural Palmares, responsável pela administração do Parque Memorial Quilombo dos Palmares. O local é reconhecido como símbolo de luta e resistência dos escravos no Brasil e referência cultural dos nossos povos afrodescendentes.


A instalação do Comitê Gestor da Serra da Barriga, realizado no ultimo dia 27, conta com representantes de comunidades de capoeiristas, religiões de matriz africana, quilombolas, junto a membros de instituições parceiras, das três esferas do governo. O Plano de Gestão da Serra da Barriga prevê a instalação de um Centro de Interpretação de Referências Culturais Afro-brasileiras, a partir de um concurso internacional de projetos. O Comitê também se propõe a desenvolver um projeto de turismo de base comunitária, com as comunidades locais. “O reconhecimento da Serra da Barriga como Patrimônio Cultural do MERCOSUL gera uma nova dinâmica de atuação interinstitucional dos parceiros já envolvidos na gestão do sítio, além de incorporar novos atores nas ações de valorização do local”, destaca o diretor do Departamento de Cooperação e Fomento do Iphan, Marcelo Brito.

Fonte: IPHAN


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Serra da Barriga

Alagoas possui um rico acervo arqueológico com vestígios de ocupação humana de mais de oito mil anos. Sobressaem-se os sítios líticos e cerâmicos, e de pintura rupestre. Entre eles, estão os grafismos rupestres da região ribeirinha do rio São Francisco. Nos matacões e abrigos sob as rochas do São Francisco, são encontrados painéis que intercalam elementos gráficos de diferentes tradições rupestres. Destacam-se, também, as diversas oficinas líticas presentes no Estado, atestando uma importante diversidade comportamental pré-histórica.

O patrimônio arqueológico apresenta alta incidência de sítios contendo componentes de cemitérios, indígenas representados pela grande quantidade de urnas funerárias frequentemente encontradas, as chamadas “igaçabas”, especialmente na região do Agreste Alagoano. Nesta região, vêm sendo identificados vários sítios arqueológicos especialmente nos municípios de Arapiraca, Anadia e Limoeiro de Anadia.

No Estado, há um vasto campo para pesquisas de arqueologia histórica como os vestígios da ocupação holandesa, entre eles o Forte Maurício sobre o qual foi construída a cidade de Penedo. Ao longo de 2010, foram feitas intervenções no sítio Bica das Freiras, importante estrutura de fornecimento de água para a antiga vila. O mesmo acontece nas regiões relacionadas à presença do Quilombo de Palmares, sendo excepcionalmente importante a Serra da Barriga que é objeto de pesquisa, há décadas.

A diversificação das atividades econômicas locais levou à realização de diversos projetos de arqueologia preventiva, contribuindo para ampliar o mapa do patrimônio arqueológico alagoano. Impulsionado pelas descobertas, o Iphan atua na região com a equipe da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) desenvolvendo pesquisas. Entre os resultados obtidos, observa-se a presença de grande quantidade de material cerâmico associado à tradição Aratu, em sítios onde a presença de urnas funerárias é marcante.

Serra da Barriga - Localizada no município de União dos Palmares, foi inscrita no Livro do Tombo Arqueológico, Etnografico e Histórico, em 1986. Entre os séculos XVII e XVIII, negros, brancos e índios organizaram a República dos Palmares. Começou a constituir-se em 1630, durante o período de lutas contra os holandeses e da economia canavieira. No século XVIII, estabeleceu-se na Serra da Barriga o Quilombo dos Macacos, sede do Quilombo dos Palmares.

O governador eleito e vitalício, Zumbi, e seu comando superior residiam na capital, a Cidade Real dos Macacos, atual União dos Palmares. A população total chegou a 30.000 pessoas, agrupadas em povoados. Em torno de cada um deles existia uma área de agricultura e pecuária onde todos trabalhavam. Não podendo lutar contra o Exército e suas armas bélicas, os quilombolas palmarinos foram exterminados em 14 de maio de 1697. Ainda se conservam, nas proximidades da Serra, as últimas pedras das trincheiras onde se abrigaram durante a luta.

Fonte: IPHAN

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