terça-feira, 4 de abril de 2017

Apresentação no Órbita Literária 196 Lêdo Ivo


O Grupo Cultural Órbita Literária, convida para a
ÓRBITA LITERÁRIA 196:

Lêdo Ivo
O Imortal do mormaço e
das ruas tortas de Maceió-AL
Ministrante: Ernani Viana da Silva Neto*


Lêdo Ivo foi crítico literário, memorialista, jornalista, ensaísta, poeta, romancista, tradutor e cronista. Nasceu em 18 de fevereiro de 1924 em Maceió-AL, vindo a falecer em Sevília, Espanha, em 23 de dezembro de 2012. Depois de nove tentativas consecutivas foi aclamado, em 1986, para ocupar a cadeira de número 10 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo Orígenes Lessa. Foi pertencente da Geração de 45, considerado por muitos como a melhor expressão desta.
João Cabral de Melo Neto considera que a função autoral dos poetas pertencentes ao grupo de 45 servisse como extensão inventiva dos poetas e escritores dos anos 30, muito embora esta linha histórica rompesse com a anarquia linguística dos primeiros modernistas, que desse voz novamente a tradição lírica e que pusesse novamente o “sublime contra o prosaico”; o “universal contra o nacional ou o regional” e o “inefável contra o tangível” colocando as potencias individuais em evidencia na caracterização dos versos, dos ritmos, dos estilos e na musicalidade das obras de cada poeta.
Neste sentido, Lêdo Ivo ganha distinção ao aliar os elementos imaginativos e vividos em sua terra natal com o rigor estilístico das mais diversas escolas, o que o fez entrar para história como poeta universal e alagoano. Ao observar as particularidades telúricas de Lêdo Ivo, Ivan Junqueira identifica a partir de um de seus marcos poéticos, o livro Finisterra (1972), enquanto: “ [...] uma das obras mais importantes de toda poesia brasileira que se escreveu na segunda metade no século XX. É por assim dizer, o livro que marca o regresso definitivo do autor as suas origens e, talvez, o mais comovido dentre os que nos deixou até agora.” além do endosso de Valter Hugo Mãe quando este mesmo afirma que: “Lêdo Ivo é um dos melhores poetas do mundo e quase me mata de delicadeza


*Ernani Viana da Silva Neto é Turismólogo e Pesquisador Cultural.

SERVIÇO - Órbita Literária 
196                                                                                                             
Painelista: Ernani Viana da Silva Neto
Tema: Lêdo Ivo: O Imortal do mormaço e das ruas tortas de Maceió-AL
Dia: 3 de abril de 2017, segunda-feira, às 20 horas
Local: Livraria e Café Do Arco da Velha
Rua Dr. Montaury, 1570, Centro, Caxias do SulRS Tel.: (54) 3028 1744

Entrada franca



 

Livro, Revista e Vídeos sobre Lêdo Ivo
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Professora de Literatura Portuguesa na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Luiza Nóbrega é mais conhecida por seus estudos sobre Os lusíadas, com tese publicada no Brasil e em Portugal. Agora, com Quero ser o que passa, a pesquisadora retorna à Literatura Brasileira, dedicando minucioso estudo à poesia de Lêdo Ivo.
Como a passante baudelairiana, Lêdo encanta pelo dinamismo. Flâneur, realiza constantes viagens, participando ativamente da vida literária brasileira e internacional. Seu cosmopolitismo de pronto desmente o apodo de regionalista, com que liminarmente se batizaram muitos autores nordestinos que tentaram carreira no Rio de Janeiro de meados do século XX. Tal versatilidade reflete-se em sua obra vasta e diversificada, repartida em poesia, ficção, crítica, memória e tradução.
É comumente apontado como integrante da Geração de 45, juízo que, todavia, merece matizamento. Sua alegada adesão àquele ideário se justifica mais devido à contingência cronológica do que em virtude de congruência estética. Contra os epígonos do Modernismo de 1922, muitos poetas de 1945 cultuavam as formas fixas, a regularidade métrica, a concisão vocabular, dentre outros aspectos configuradores de uma escrita que se pode chamar de apolínea, cujo paradigma é João Cabral de Melo Neto. Embora infenso à diluição modernista e também exímio autor de sonetos, de odes e de elegias (palavras presentes em títulos de seus livros), Lêdo Ivo extrapola a fixidez formal e com grande frequência se lança, por exemplo, ao verso livre, longo e respiratório e até ao poema em prosa, sendo, por vezes, acusado de excesso verbal. Sintomaticamente, foi o primeiro tradutor brasileiro de Rimbaud, poeta interessado em “fixar vertigens”.
De extração subjetiva, a poesia do escritor alagoano possui nítida inclinação metafísica, rastreando balizas para a identidade fugidia, em permanente sondagem existencial dos mistérios humanos e cósmicos. Sua literatura interiorizada tem na pluralidade expressão possível das nuanças subjetivas: o tempo, por exemplo, se acumula em ruínas, ferrugens, escombros e em outros palimpsestos escavados pela inquietude do poeta. Disso também decorre a versatilidade expressiva, com os diferentes gêneros e formas e, no âmbito textual, com a ostensiva pluralização (seu primeiro livro intitula-se As imaginações). A forma não é, portanto, credencial do poema, mas a encenação do esforço de exprimir o indizível; deixa de ser formato para revelar-se gestação. Não por acaso, um de seus títulos é Acontecimento do soneto, conjugando o apuro formal à celebração encantatória.
É a essa poesia de amplitude extrema, deslizando das lacraias à lua, dos mangues à Via-Láctea,que Luiza Nóbrega se dedica com atenção e sen­sibilidade neste ensaio sobre Lêdo Ivo.


Gilberto Araújo Doutorando em Literatura Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisador da Academia Brasileira de Letras. Autor de Melhores crônicas de Humberto de Campos (Global, 2009) e Júlio Ribeiro (ABL, 2011), entre outros títulos.


Soneto do Amor Condenado

Quem ama desama
toda vez que ama
e converte o gelo
em túrgida chama

e converte o rogo
da garganta rouca
em cifra de fogo
inscrita na cama.

Quem ama não ama
toda vez que ama.
O amor sempre fica
na beira da cama:

flama que não queima,
peixe sem escamas.


Do livro Crepúsculo Civil, de 1990. In Lêdo Ivo: Poesia Completa (1940 – 2004), de 2004, p. 808. Musicalizado por Mácleim em 2012

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