segunda-feira, 24 de abril de 2017

A descoberta da Amazônia pelos Turcos Encantados (2005) - Documentário


Despertou-me a curiosidade em saber qual livro seria este que o Mestre Walter, da Nação do Maracatu Estrela Brilhante do Recife, se refere no trecho da música “Cantigas de Encantaria” do trabalho PontoBR que segue logo abaixo. “O meu pai me deu um livro/ Que eu estudava noite e dia/ Pra mim saber o segredo/ Das três virgens da Turquia”  Sabendo de antemão que a religiosidade oriunda dos nativos indígenas e dos negros escravizados não possui uma codificação litúrgica escrita, procurei por tal referência. O que achei foi o documentário “A descoberta da Amazônia pelos Turcos Encantados”, de 2005, que me revelou todo o imaginário dos "Encantados" do norte do Brasil que se oriunda da luta entre Templários, Muçulmanos, Índios, escravizados e dos Sebastianos que aqui chegaram e se irmanaram de forma mágica. Mas uma história contada, vivida e cultuada em nossa brasilidade. Confira já!




A Descoberta da Amazônia pelos Turcos Encantados é um documentário que registra / recria o universo místico do Tambor de Mina, a mais poderosa religião afro-indígena da Amazônia. Segundo reza a tradição Mina, a Família Imperial Turca, desalojada da Terra Santa pela Primeira Cruzada, embarcou para a Mauritânia em busca de refúgio. Porém, na altura do Estreito de Gibraltar, atravessaram um Portal da Encantaria e se transportaram para uma outra dimensão do tempo e espaço, onde não existe morte, envelhecimento, dor, nem ódio: a Terra da Encantaria. Quatrocentos anos depois, os turcos liberados por suas princesas reapareceriam no litoral paraense começando um trajeto por onde cruzariam com várias famílias da Encantaria, desde os clãs indígenas, comandados por Velho Caboclo, até os nobres encantados de D. Sebastião e mais os orixás africanos, desembarcados nas costas do Grão-Pará e Maranhão em meados dos séculos XVII, acompanhando os primeiros escravos negros que por aqui desembarcaram.

A saga do Turcos Encantados é recriada através do narrador Baba Luiz Tayendó, sacerdote do Terreiro Toy Lissá, dos depoimentos e cantos de muitos outros pais, mães, filhos e filhas de santo, e de encenações com atores não profissionais, escolhidos entre os integrantes de diversos terreiros Mina, comunidades quilombolas e bairros pobres de Belém.

Fonte: Filmow

Bônus Tracks:

A Barca - Baião de Princesas - Casa Fanti Ashanti (2002)


01 - 00:00 "Minha Gente Venha Ver"
02 - 
01:43 "Mestre Reis dos Mestres Chegou"
03 - 
05:13 "A Sala Tá Cheia"
04 - 
08:22 "Tapuia Jacarandá"
05 - 
11:32 "Balão de Ouro"
06 - 
14:55 "Amor com Guerreiro"
07 - 
17:29 "Dindinha Luzia"
08 - 
18:39 "No Terreiro de Vovó Luzia"
09 - 
20:32 "Tapindaré"
10 - 
23:09 "Alumiou"
11 - 
25:45 "Eu Só Vim Aqui"
12 - 
28:34 "Tombador"
13 - 
31:15 "Ana Mora na Cacimba"
14 - 
36:37 "Vassourá"
15 - 
37:46 "Cranguejinho"
16 - 
40:19 "Jurarazinho"
17 - 
42:06 "Guará Mirim"
18 - 
43:57 "Periquitinho"
19 - 
45:37 "Lá Na Aldeia"
20 - 
48:37 "Eu Sou Bem Pequenininha"
21 - 
50:40 "A Mamãe Tá Chorando"
22 - 
53:54 "Menina da Gameleira"
23 - 
56:17 "Flor Jurema"
24 - 
59:13 "Chica Nana Painana"
25 - 
1:01:15 "Camida de Renda"
26 - 
1:03:36 "O Tempo Foi o Meu Mestre"
27 - 
1:06:00 "No Mar Ele é Um Peixe"
28 - 
1:08:36 "O Baião Já Vai Fechar"

terça-feira, 4 de abril de 2017

Apresentação no Órbita Literária 196 Lêdo Ivo


O Grupo Cultural Órbita Literária, convida para a
ÓRBITA LITERÁRIA 196:

Lêdo Ivo
O Imortal do mormaço e
das ruas tortas de Maceió-AL


Ministrante: Ernani Viana da Silva Neto*


Lêdo Ivo foi crítico literário, memorialista, jornalista, ensaísta, poeta, romancista, tradutor e cronista. Nasceu em 18 de fevereiro de 1924 em Maceió-AL, vindo a falecer em Sevília, Espanha, em 23 de dezembro de 2012. Depois de nove tentativas consecutivas foi aclamado, em 1986, para ocupar a cadeira de número 10 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo Orígenes Lessa. Foi pertencente da Geração de 45, considerado por muitos como a melhor expressão desta.
João Cabral de Melo Neto considera que a função autoral dos poetas pertencentes ao grupo de 45 servisse como extensão inventiva dos poetas e escritores dos anos 30, muito embora esta linha histórica rompesse com a anarquia linguística dos primeiros modernistas, que desse voz novamente a tradição lírica e que pusesse novamente o “sublime contra o prosaico”; o “universal contra o nacional ou o regional” e o “inefável contra o tangível” colocando as potencias individuais em evidencia na caracterização dos versos, dos ritmos, dos estilos e na musicalidade das obras de cada poeta.
Neste sentido, Lêdo Ivo ganha distinção ao aliar os elementos imaginativos e vividos em sua terra natal com o rigor estilístico das mais diversas escolas, o que o fez entrar para história como poeta universal e alagoano. Ao observar as particularidades telúricas de Lêdo Ivo, Ivan Junqueira identifica a partir de um de seus marcos poéticos, o livro Finisterra (1972), enquanto: “ [...] uma das obras mais importantes de toda poesia brasileira que se escreveu na segunda metade no século XX. É por assim dizer, o livro que marca o regresso definitivo do autor as suas origens e, talvez, o mais comovido dentre os que nos deixou até agora.” além do endosso de Valter Hugo Mãe quando este mesmo afirma que: “Lêdo Ivo é um dos melhores poetas do mundo e quase me mata de delicadeza”


*Ernani Viana da Silva Neto é Turismólogo e Pesquisador Cultural.
SERVIÇO - Órbita Literária 
196                                                                                                             
Painelista: Ernani Viana da Silva Neto
Tema: Lêdo Ivo: O Imortal do mormaço e das ruas tortas de Maceió-AL
Dia: 3 de abril de 2017, segunda-feira, às 20 horas
Local: Livraria e Café Do Arco da Velha
Rua Dr. Montaury, 1570, Centro, Caxias do SulRS Tel.: (54) 3028 1744

Entrada franca



 

Livro, Revista e Vídeos sobre Lêdo Ivo
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Professora de Literatura Portuguesa na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Luiza Nóbrega é mais conhecida por seus estudos sobre Os lusíadas, com tese publicada no Brasil e em Portugal. Agora, com Quero ser o que passa, a pesquisadora retorna à Literatura Brasileira, dedicando minucioso estudo à poesia de Lêdo Ivo.
Como a passante baudelairiana, Lêdo encanta pelo dinamismo. Flâneur, realiza constantes viagens, participando ativamente da vida literária brasileira e internacional. Seu cosmopolitismo de pronto desmente o apodo de regionalista, com que liminarmente se batizaram muitos autores nordestinos que tentaram carreira no Rio de Janeiro de meados do século XX. Tal versatilidade reflete-se em sua obra vasta e diversificada, repartida em poesia, ficção, crítica, memória e tradução.
É comumente apontado como integrante da Geração de 45, juízo que, todavia, merece matizamento. Sua alegada adesão àquele ideário se justifica mais devido à contingência cronológica do que em virtude de congruência estética. Contra os epígonos do Modernismo de 1922, muitos poetas de 1945 cultuavam as formas fixas, a regularidade métrica, a concisão vocabular, dentre outros aspectos configuradores de uma escrita que se pode chamar de apolínea, cujo paradigma é João Cabral de Melo Neto. Embora infenso à diluição modernista e também exímio autor de sonetos, de odes e de elegias (palavras presentes em títulos de seus livros), Lêdo Ivo extrapola a fixidez formal e com grande frequência se lança, por exemplo, ao verso livre, longo e respiratório e até ao poema em prosa, sendo, por vezes, acusado de excesso verbal. Sintomaticamente, foi o primeiro tradutor brasileiro de Rimbaud, poeta interessado em “fixar vertigens”.
De extração subjetiva, a poesia do escritor alagoano possui nítida inclinação metafísica, rastreando balizas para a identidade fugidia, em permanente sondagem existencial dos mistérios humanos e cósmicos. Sua literatura interiorizada tem na pluralidade expressão possível das nuanças subjetivas: o tempo, por exemplo, se acumula em ruínas, ferrugens, escombros e em outros palimpsestos escavados pela inquietude do poeta. Disso também decorre a versatilidade expressiva, com os diferentes gêneros e formas e, no âmbito textual, com a ostensiva pluralização (seu primeiro livro intitula-se As imaginações). A forma não é, portanto, credencial do poema, mas a encenação do esforço de exprimir o indizível; deixa de ser formato para revelar-se gestação. Não por acaso, um de seus títulos é Acontecimento do soneto, conjugando o apuro formal à celebração encantatória.
É a essa poesia de amplitude extrema, deslizando das lacraias à lua, dos mangues à Via-Láctea,que Luiza Nóbrega se dedica com atenção e sen­sibilidade neste ensaio sobre Lêdo Ivo.

Gilberto Araújo Doutorando em Literatura Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisador da Academia Brasileira de Letras. Autor de Melhores crônicas de Humberto de Campos (Global, 2009) e Júlio Ribeiro (ABL, 2011), entre outros títulos.


Soneto do Amor Condenado

Quem ama desama
toda vez que ama
e converte o gelo
em túrgida chama

e converte o rogo
da garganta rouca
em cifra de fogo
inscrita na cama.

Quem ama não ama
toda vez que ama.
O amor sempre fica
na beira da cama:

flama que não queima,
peixe sem escamas.

Do livro Crepúsculo Civil, de 1990. In Lêdo Ivo: Poesia Completa (1940 – 2004), de 2004, p. 808.


Musicalizado por Mácleim em 2012