quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Histórias do Brasil - TV Brasil

Antes do Brasil, Cabo Frio, 1530

O primeiro episódio, Antes do Brasil -- Cabo Frio, 1530, mostra a necessidade e a fragilidade das relações humanas na nova terra. Acreditando tratar-se de um francês, um grupo de índios Tupinambás captura o alemão Franz Hassen. E como os franceses são considerados inimigos da tribo Tupinambá, o alemão pode ser devorado pelos índios. A única saída para Franz é convencer Pero Dias, um português ganancioso que vive entre os índios, a desfazer a confusão. A disputa por riquezas naturais e pela honra permeia a história de um povo feito de pessoas muito diferentes e isso é visível neste primeiro capítulo da série Histórias do Brasil.




Colonização

O português Fernão Barreto é um senhor de Engenho no Rio de Janeiro em 1580. Para a produção de açúcar conta com 50 peças de escravos, todos "negros da terra", ou seja, índios. Uma nova safra de cana-de-açúcar está pronta para ser moída e, como é de costume, Barreto espera a chegada do padre que irá benzer o moinho para dar início ao trabalho.
O atraso do religioso deixa Barreto apreensivo, pois as tribos do entorno têm promovido constantes ataques ao engenho e o clima na região é tenso. Enquanto aguarda, Barreto conversa com Lopes Magalhães, um mercador de escravos português (da Ilha da Madeira) que veio lhe oferecer algumas peças de negros de Angola. Magalhães tenta convencer Barreto de que os africanos são melhores escravos do que os índios.

Guerra pelo Açúcar

Entradas e Bandeiras

O mameluco Jerônimo domina os segredos da mata. Como guia de uma expedição bandeirante, é ele quem aponta o caminho, decifra os rastros dos animais, encontra comida e água. Jerônimo terá que usar todo o seu conhecimento para salvar a vida do jovem Pedro, seu patrão e meio-irmão.

Ouro e Cobiça (Ouro Preto, 1719)

O artesão Manuel Correia confecciona pequenas imagens de santos. Já há cerca de vinte imagens prontas nas prateleiras da oficina, mas Manuel ainda precisa terminar outras cinco até o final da semana. É o que o seu patrão Antônio Vidal insiste em lembrá-lo. Manuel se mostra tranqüilo e garante que o trabalho estará pronto. Cinco jovens negras, carregando tabuleiros de quitutes, chegam à oficina falando alto e rindo muito. Entre elas está a linda Inácia, que troca olhares e sorrisos discretos com Manuel. As negras são escravas de ganho de Antônio Vidal. Todo dia precisam entregar para seu senhor uma quantia por ele estipulada. Para complementar a renda, às vezes recorrem à prostituição. Seus clientes são os escravos que trabalham na região das minas. Uma a uma as negras entregam para seu senhor o ouro em pó que ganharam em um dia de trabalho e Vidal guarda o ouro dentro de uma das imagens de santo confeccionadas por Manuel. As negras seguem falando alto, contando detalhes de seus encontros com os clientes. Vidal termina de guardar o ouro na imagem e a devolve para a prateleira. Quando percebe que Manuel está de olho em Inácia, Vidal dá uma bronca no artesão e ordena que volte ao trabalho. Vidal, então, manda as negras pararem com a algazarra e as enxota da oficina. Vidal sai e Manuel volta para o trabalho. Na manhã seguinte, Vidal vai à oficina, e não vê sinal das imagens de santo recheadas de ouro. Vidal também não sabe onde está Inácia. E, muito menos, Manuel.

Leituras Perigosas: Rio de Janeiro, em 1794

Meio da noite. O cirurgião Manoel Toledo encontra um homem misterioso em uma taverna e recebe dele um embrulho. Toledo corre pelas ruelas do Rio de Janeiro carregando o embrulho com todo o cuidado. Ele chega em sua casa e sobe para o segundo andar, onde encontra um amigo encadernando livros. Toledo abre o embrulho e revela uma edição das Fábulas de La Fontaine. Esse é um dos muitos livros cuja circulação é proibida pela Metrópole. Toledo, que participa de uma Sociedade Literária, entende que os livros devem circular livremente. Essa é sua luta. O livro de La Fontaine que acabou de comprar será encadernado no meio de textos liberados. O objetivo de Toledo é esconder a obra proibida das vistas das autoridades e assim levá-la ao maior número possível de leitores. Eles já estão trabalhando há algumas horas quando ouvem batidas na porta. Toledo diz para o companheiro fazer silêncio e desce correndo. Quando abre a porta, se depara com três soldados carregando um homem ferido e inconsciente. O comandante da tropa é um velho conhecido de Toledo e pede ajuda ao cirurgião para tratar do homem. Toledo engole em seco quando percebe que o homem é o mesmo de quem comprou o livro. O comandante da tropa explica que tinham recebido uma denúncia de que um contrabandista de livros agiria naquela noite e, de fato, eles o encontraram. Mas o homem tentou fugir pulando um muro e acabou caindo de cabeça. Agora o comandante precisa que Toledo reanime o contrabandista para que os soldados possam arrancar dele os nomes de seus clientes. Hesitante, o cirurgião se vê diante de um dilema: se salvar a vida do contrabandista de livros e ele recobrar a lucidez, Toledo pode ser desmascarado pelas autoridades.

O Sangrador e o Doutor, Rio de Janeiro, 1820

Benedito, um ex-escravo de 50 anos, é levado até um rico palacete em Botafogo. Dona Ana está aflita. Seu marido, João Alencar, está de cama, inconsciente, muito doente. Dona Ana ouviu dizer que se alguém pode curar seu marido esse alguém é Benedito, o maior sangrador da Cidade Nova. Disposta a tentar de tudo depois dos fracassos dos mais caros e respeitados médicos da Capital, Dona Ana pede que Benedito trate de seu marido. Após um rápido exame, Benedito decide começar o tratamento com uma sangria. Em seguida, deita "bixas" - sanguessugas - pelo corpo de Alencar. Dois dias depois, Alencar está de pé. Muito católico, ele credita sua recuperação às orações da mulher. Mas Dona Ana admite que recorreu a um barbeiro sangrador. Alencar, então, pede o endereço do ex-escravo, para que possa agradecer pessoalmente. Alencar encontra a pequena casa na Cidade Nova vazia. Mas escuta um falatório e um batuque. Ele entra. Nos fundos da casa, Alencar se depara com um culto de candomblé. Horrorizado com a cena, ele vai embora, fazendo o sinal da cruz: sua vida foi salva num ritual pagão. E isso ele não pode admitir.

Vida e morte no Paraguai, Tuiuti, 1866

No acampamento do Exército Aliado, três amigos se divertem conversando sobre Alfredo, colega deles que se feriu levemente em circunstâncias misteriosas. Cada amigo tem uma versão para o ferimento. O primeiro acredita que Alfredo se feriu ao voltar a um campo de batalha para recuperar sua espada perdida. Ao chegar ao campo forrado de cadáveres, deparou-se com uma cena no mínimo chocante. Quatro soldados paraguaios, que provavelmente haviam se fingido de mortos durante a batalha, saqueavam os mortos. Botas, cintos, camisas e até calças eram recolhidos pelos homens. Ao ficarem cara a cara, brasileiro e paraguaios não sabiam como agir. Alfredo explicou que só havia voltado por sua espada e, realmente, a pegou do chão. Mas temia que os paraguaios não o deixassem ir, afinal, ele podia avisar o Exército Aliado da presença dos inimigos. Por outro lado, os paraguaios não sabiam se o Exército Aliado estaria esperando o retorno do soldado brasileiro. Nesse caso, se matassem Alfredo, poderiam ser perseguidos por centenas de inimigos. Após um momento de indecisão, os paraguaios deram as costas para Alfredo e voltaram a se ocupar dos cadáveres. Alfredo entendeu a deixa e saiu rápido. Mas, ainda nervoso, ao montar em seu cavalo perdeu o equilíbrio e caiu, ferindo-se com a própria espada. O segundo colega afirma que Alfredo fez uma inacreditável visita à trincheira inimiga. Tudo começou quando, certa noite, cansado de ficar de sentinela, Alfredo decidiu visitar os paraguaios na trincheira a poucos metros dali. Apesar da surpresa dos paraguaios, Alfredo logo convenceu os inimigos de que sua presença ali era amistosa. Em pouco tempo, conversavam como melhores amigos. Beberam, fumaram, tomaram chimarrão e cada um falou mal de seu exército. O clima só ficou um pouco mais pesado quando Alfredo começou a tentar convencer os paraguaios a desertar e passar para o lado brasileiro, afinal, dizia ele, "o Solano Lopez é um louco!" Os paraguaios não gostaram nem um pouco dos comentários do brasileiro. Alfredo teve que sair de lá correndo, perseguido pelos enfurecidos paraguaios. Bêbado, sem lembrar a senha que devia dizer para o sentinela brasileiro, acabou se vendo numa luta corporal, que terminou com a baioneta do sentinela cravada em sua perna. Já a terceira versão garante que ferimento de Alfredo foi fruto de um caso de amor. Alfredo teria se encantado por uma jovem, filha de um barbeiro do acampamento. Já estavam juntos há alguns dias quando um coronel também se encantou pela jovem. Alfredo sabia que sua patente não era páreo para a de um coronel, mas tentou convencer o pai da moça do absurdo que seria autorizar a namoro da jovem com o velho. Isso porque o coronel tinha 60 anos, enquanto a jovem apenas 17. Mas o barbeiro não conseguiu resistir à oferta do coronel: um saco de feijão, outro de milho, dois alqueires de arroz, uma vaca para corte e um boi de montaria pela moça. Mas Alfredo não desistiu. Sempre que o coronel se ausentava, ele entrava sorrateiramente na cabana do velho para desfrutar de alguns momentos de romance com a jovem. Para seu azar, certa noite o coronel voltou mais cedo e deparou-se com sua jovem nua e um soldado tentando fugir por baixo da lona da barraca. O coronel só teve tempo de sacar sua faca e fincá-la na perna do soldado. Mas, mesmo com a faca do coronel cravada em seu corpo, Alfredo conseguiu sumir na escuridão do acampamento. O coronel não tentou descobrir a identidade do soldado que estava com sua jovem amante, afinal, não quis correr o risco ter sua fama de homem traído na boca dos soldados. Mesmo assim, depois do ocorrido Alfredo teve que se esforçar para não mancar na frente do coronel. Os três riem e esperam por notícias de Alfredo. Mas o tempo passa. E o amigo está demorando muito a voltar.

Propaganda e Repressão, Rio de Janeiro, 1952

Em uma mesa do Bar Amarelinho, na Cinelândia, alguns jornalistas conversam sobre Getúlio Vargas, o Estado Novo, e a censura aos jornais onde trabalham. Um dos jornalistas critica a propaganda do Estado Novo, dizendo que "os energúmenos do Departamento de Imprensa e Propaganda deviam pelo menos aprender com os russos a fazer filmes sobre as massas". Segundo ele, "O Encouraçado Potemkin" é um exemplo perfeito de filme ideológico. Entre os jornalistas está o jovem Alves, que quando tenta fazer um comentário é interrompido por seus colegas mais experientes, sempre com histórias, casos ou idéias mais interessantes. Quando os jornalistas ficam mais exaltados, alguém logo aponta para a direção do morro de Santo Antônio e menciona a temida Polícia Especial de Filinto Müller. É a deixa para os ânimos se acalmarem. Um grupo de homens mal encarados chega ao bar e ocupa uma mesa próxima à dos jornalistas. Os homens comentam empolgados o último discurso de Hitler e falam mal dos "comunistas". Imediatamente, os jornalistas mudam de assunto. No dia seguinte, no Palácio Tiradentes, Alves é recebido por um alto funcionário do DIP. Alves foi indicado para um cargo no Departamento a pedido de seu pai, importante empresário e simpatizante do Estado Novo, que está cansado de ver seu filho "metido com os jornalistas de esquerda". Em seu primeiro dia de trabalho no DIP, Alves participa de uma reunião com os chefes das cinco divisões: Divulgação, Rádio-difusão, Cinema e Teatro, Turismo e Imprensa. Na reunião são discutidas políticas e estratégias de cada divisão. São abordados assuntos como: censura a jornais, filmes e peças de teatro; a mudança do Dia do Trabalhador para Dia do Trabalho, com o objetivo de tirar o foco do trabalhador e de suas reivindicações e fazer do dia uma festa do Estado Novo; a programação da Hora do Brasil; a produção de cartilhas escolares. O chefe da divisão de Cinema e Teatro conta, empolgado, como seus técnicos fizeram uma montagem juntando uma tomada de Getúlio Vargas dando uma tacada de golfe com uma jogada feita por um jogador profissional. Segundo o chefe da divisão, quem vê a montagem tem certeza de que Vargas, péssimo jogador de golfe, é um verdadeiro campeão. Alves acompanha a reunião calado. Até que um cine-jornal sobre a festa de Primeiro de Maio no Estádio de São Januário é exibido. Os chefes das divisões não ficam animados com o filme e criticam sua eficiência. Discutem, exaustivamente, qual seria o problema. Alves pede a palavra e todos o escutam. Ele diz acreditar que o problema está na maneira como os espectadores foram filmados. Alves comenta que os russos sabem filmar as massas com eficiência. Segundo ele, faltam ao filme do DIP alguns closes de espectadores no estádio, para que o público do filme tenha com quem se identificar. Como exemplo do que está falando, Alves cita "O Encouraçado Potemkin". Inicialmente, os funcionários do DIP não gostam das "referências comunistas" de Alves, mas logo percebem que ele tem razão. O chefe do Departamento dá os parabéns a Alves e diz que ele terá um belo futuro no DIP. Mas Alves já não tem tanta certeza se realmente virá trabalhar no Departamento de Propaganda e Imprensa. Ainda mais quando, no fim da reunião, o chefe do departamento faz um inflamado discurso contra a democracia. À noite, os jornalistas estão reunidos novamente no Amarelinho, discutindo o Governo Vargas. Alves está entre eles, e acredita que nada mudou em sua vida. Mas isso está longe de ser verdade.

O Sonho de Juscelino, Brasília, 1958

A primeira residência oficial do presidente Juscelino Kubitschek em Brasília é um prédio simples, sem conforto, feito de madeira. Projetado por Oscar Niemeyer e construído em 10 dias, seu nome é uma referência ao Palácio do Catete, residência do presidente no Rio de Janeiro. Brasília já está praticamente pronta e essa será a última noite em que o presidente dormirá no Catetinho. Sebastião, velho mordomo que acompanha Kubitschek desde o Rio de Janeiro, e Nascimento, jovem mordomo que assumirá o cargo na nova capital, trabalham juntos para deixar tudo arrumado. Mas as diferenças entre os dois mordomos são muitas. Sebastião acha que a capital jamais deveria ter saído do Rio de Janeiro. Nascimento não vê a hora de Brasília estar ocupada e funcionando a pleno vapor. A arquitetura de Brasília também é motivo de discordância entre os dois. Nascimento é um entusiasta do futurismo da nova capital. Sebastião prefere os prédios neoclássicos do Rio de Janeiro. Apesar das diferenças e da insistência do jovem Nascimento em não seguir as orientações do velho Sebastião, os dois têm pressa: o presidente JK vai chegar a qualquer momento.

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