quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Cocos de Jacinto Silva



Coco de Ganzá - 0:00
Coco Sincopado - 2:40
Coco do M - 4:50
Coco do Gago - 6:47
Coco Trocado - 9:27
Coco Nordestino - 11:49
Coco na Palhoça - 14:24
Coco na Ciranda - 16:39
Coco de Pernambuco - 18:50
Coco do Pindurão - 20:57
Coco de Praia - 23:15
Coco de Pandeiro - 25:42

Terra do Folclore - 27:37

Seleção: Ernani Viana



"Jacinto Silva foi um intérprete peculiar da música do Nordeste"
Ranilson França
Jornal Gazeta de  Alagoas - 17/08/2004

Nome completo: Sebastião Jacinto da Silva
Nome artístico: Jacinto Silva
Data de nascimento: 23/10/1933
Local: Palmeira dos Índios/AL
Data de falecimento: 19/02/2001
Local: Caruaru/PE
Gêneros: Coco, Embolada e outros Ritmos Regionais do Nordeste

BIOGRAFIA
Por Ranilson França

Ao aproximar-se o período junino nos vem a lembrança de um dos mais importantes astros da música popular nordestina: Jacinto Silva.

Nascido na cidade de Palmeira do Indios, Agreste alagoano, no dia 23 de outubro de 1933. Foi criado ouvindo os cantadores de Coco, violeiros, mestres de reisado, guerreiros, cantigas de sentinela e de terços, com o nome de batismo Sebastião Jacinto da Silva, o "Bastiãozinho" como era mais conhecido entre os amigos de infância, o menino Jacinto logo cedo assimilou os ritmos do povo de Alagoas.

Sua primeira apresentação pública aconteceu na década de 1950, no auditório da velha rádio Difusora, no programa da saudosa Odete Pacheco, onde foi batizado com o nome artistico de Jacinto Silva.

Em 1958, transfere-se para Caruaru onde inicia profissionamente sua carreira artistica. Em 1962, grava pela Mocanbo um 78 RPM, seu primeiro disco com as músicas "Bambuá-Bambuá" e "Justiça Divina", alcançando sucesso em todo Nordeste. Pouco tempo depois grava pela CBS seu primeiro LP, que se intitulou "Cidade de Alagoas", com destaque para as músicas "Aquela Rosa" e "Chora Bananeira", baseadas no folclore nordestino influenciado por Jackson do Pandeiro e Ary Lobo, com quem conviveu na década de 1960 no Rio de  Janeiro/RJ, Dominguinhos, Severino Januário, Luiz Gonzaga, Abdias, Trio Nordestino e outros bons da música nordestina. Em seu vasto e rico repertório aparece os Cocos, as Emboladas, Benditos, Guerreiros e tantos outros ritmos baseados no folclore nordestino.

Coco Sincopado

Jacinto Silva foi um intérprete peculiar da música do nordeste, interpretava como ninguém suas canções inclusive o Coco Sincopado, gênero do qual era senhor absoluto.

Além de intérprete, Jacinto também compunha suas músicas ao lado de compositores famosos como Onildo almeida, Juarez Santiago, Janduhi Filizola, Ivan Ferraz, Sebastião França, Luiz Queiroga, Florival Ferreira, João Silva, Zé do Rojão, Geraldo Lopes e Zé do Brejo.

Segundo Jacinto, seu grande sucesso foi a marcha de Roda "Aquela Rosa". As suas músicas marcavam presença quase constante na Série Pau de Sebo, da ( extinta ) CBS.

Projeto "O Voo do Forró"

Participou, em 1988, juntamente com a Banda de Pífanos de Caruaru, do compositor e sanfoneiro Caxiado e de outros artistas pernambucanos, do Projeto "O Voo do Forró", com uma série de apresentações na Europa principalmente na França e Alemanha. Desse encontro saiu o CD "Caruaru, Capital do Forró".

Em 1993, quando ele esteve em Maceió/AL, tive o prazer de conhecê-lo mais de perto e sentir o valor não só do artista, mas da sua personalidade.

Conversamos sobre vários assuntos envolvendo música, cultura popular, tendo no momento autografado alguns de seus discos. Visitamos os folguedos alagoanos, onde sentiu-se bastante á vontade. Á noite, no Burungundu, no Bairro Jacintinho, fez um lindo show ao lado de seu amigo Tororó do Rojão.

Grupo Cascabulho/PE

Jacinto Silva, fez uma participação  especial  no disco do Grupo pernambucano  Cascabulho, onde interpretou com maestria a música "Xodó de Sanfoneiro", surgindo daí uma grande amizade entre ele e os jovens artistas pernambucanos.

Seus últimos discos foram produzidos por Zé da Flauta, que também lhe ajudou e incentivou bastante. Recebi do próprio Jacinto aquele que seria seu último disco "Só Não Dança Quem Não Quer", belíssimo trabalho em que ele relembrava seus grandes sucessos, com produção e direção artística de Zé da flauta.

Em primeiro de Maio de 1999, estive em  sua residência, em Caruaru (no conjunto INOCOOP), onde passamos uma manhã inteira conversando e ouvindo suas histórias e planos para o futuro. Não  sabia que estava a me despedir do grande Jacinto Silva, o maior cantador de Coco, dos últimos tempos.

Seu amor por Alagoas, era sempre mostrado nas suas composições, nas quais Jacinto se esmerava em descrever suas belezas naturais  e seu encanto por seu Estado de nascença.

O último adeus

Faleceria em 19 de Fevereiro de 2001, ás 5 horas da madrugada , na Cidade de Caruaru, vitimado por um mal que lhe perseguia há algum tempo. Foi enterrado no mesmo dia, no Cemitério Público da "Capital do Forró", acompanhado por poucos amigos e admiradores.
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