quinta-feira, 28 de maio de 2015

A arte de escrever* Schopenhauer

“Os professores ensinam para ganhar dinheiro e não se esforçam pela sabedoria, mas pelo crédito que ganham dando a impressão de possuí-la. E os alunos não aprendem para ganhar conhecimento e se instruir, mas para poder tagarelar e para ganhar ares de importantes. A cada trinta anos, desponta no mundo uma nova geração, pessoas que não sabem nada e agora devoram os resultados do saber humano acumulado durante milênios, de modo sumário e apressado, depois querem ser mais espertas do que todo o passado.”

Esta citação poderia ser tirada de qualquer revista semanal da nossa década, mas não é o caso. É deste modo que Arthur Schopenhauer (1788 – 1860), e seu peculiar humor, começa A Arte de Escrever. O livro, que segue abaixo o link para descarregar, não é integral, e sim uma coletânea de cinco textos conforme o tradutor explica na introdução. O autor aborda questões de estilo e influência de leituras no próprio pensamento, segundo ele o seu excesso atrapalha o leitor em perceber suas próprias ideias. Apesar do elitismo com que ele aborda a temática, percebe-se o cuidado que se deve possuir com a escrita em seu texto, pois esta é o grande instrumento de trabalho do pesquisador.

Voltando sobre o fato das universidades acumularem mais informações que conhecimento no campo das pesquisas, Levi-Strauss disserta sobre  este comportamento nos estudantes da USP, nos anos 50, na obra Tristes Trópicos:

“nossos estudantes só queriam saber; mas, em qualquer domínio que fosse, somente a teoria mais recente lhe merecia atenção. Embotados dos festins intelectuais do passado, que aliás, só conheciam de oitiva, pois não liam as obras originais, conservavam um entusiasmo sempre disponível para os pratos novos. No caso, deveríamos falar mais em moda que cozinha: Ideias e doutrinas não possuíam as seus olhos um interesse intrínseco, eles as consideravam como instrumentos de prestígio cujas primícias deviam assegurar-se. Partilhar uma teoria conhecida de outrem equivalia a apresentar-se com um vestido já visto, seria desmoralizante.”

Como eles descreveriam os dias de hoje? Pega as dicas e escrevamos nós mesmos.

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domingo, 24 de maio de 2015

Então queres ser um escritor?*



*Charles Bukowski (Tradução: Manuel A. Domingos)


Se não sai de ti a explodir, apesar de tudo, não o faças.

A menos que saia sem perguntar do teu coração, da tua cabeça, da tua boca das tuas entranhas,
não o faças.

Se tens que estar horas sentado a olhar para um ecrã de computador ou curvado sobre a tua
máquina de escrever procurando as palavras, não o faças.

Se o fazes por dinheiro ou fama, não o faças.

Se o fazes para teres mulheres na tua cama, não o faças.

Se tens que te sentar e reescrever uma e outra vez, não o faças.

Se dá trabalho só pensar em fazê-lo, não o faças.

Se tentas escrever como outros escreveram, não o faças.

Se tens que esperar para que saia de ti a gritar, então espera pacientemente.

Se nunca sair de ti a gritar, faz outra coisa.

Se tens que o ler primeiro à tua mulher ou namorada ou namorado ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.

Não sejas como muitos escritores, não sejas como milhares de pessoas que se consideram escritores,
não sejas chato nem aborrecido e pedante, não te consumas com auto-devoção.

As bibliotecas de todo o mundo têm bocejado até adormecer com os da tua espécie.

Não sejas mais um.

Não o faças.

A menos que saia da tua alma como um míssil, a menos que o estar parado te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio, não o faças.

A menos que o sol dentro de ti te queime as tripas, não o faças.

Quando chegar mesmo a altura, e se foste escolhido, vai acontecer por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.

Não há outra alternativa.

E nunca houve.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Time de Imortais* Revista OUSH! Brasil ANO IV Ed. 15. Agosto de 2014

Matéria sobre o acervo patrimonial do estado de Alagoas.


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* Por Antônio Maria do Vale (Com informações da SECULT-AL)