terça-feira, 24 de junho de 2014

Imaginário Sururu: Um patrimônio a contrapelo. - Revista Rosa dos Ventos. V.6 Nº1 (2014) - PPGTUR - UCS

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“O ensaio assinado por Ernani Viana Neto e Edson Gouveia Bezerra, da Universidade de Caxias do Sul e da Universidade Estadual do Alagoas, revisita a questão abordando “O Imaginário Sururu: Um patrimônio a contrapelo”, nos instigando a pensar o patrimônio cultural também sob o ponto de vista dos imaginários associados.” Drª Susana Gastal – Editora da Revista Rosa dos Ventos | UCS

Resumo

Este artigo discute o patrimônio cultural, entendendo por tal o conjunto de todos os bens, materiais ou imateriais que, pelo seu valor simbólico para as comunidades que os produzem e abrigam, devam ser preservados. No caso da cidade de Maceió, no Nordeste brasileiro, há a presença do Sururu (Mytella Charruana), um molusco bastante consumido no local. Por essa razão, suas particularidades biológicas e culinárias, sistematizadas em imaginários, estão culturalmente associadas ao pertencimento alagoano. Buscamos demonstrar que este é passível de ser considerado como patrimônio local, em que pese seu viés popular, antepondo-se a posição das elites locais.

Edson de Gouveia Bezerra - Doutor em Sociologia (UFPE). Mestre em Antropologia (UFPE). Graduado em Ciências Sociais (UFPE). Professor da Universidade Estadual de Alagoas. E-mail: bezerra57@hotmail.com

Ernani Viana da Silva Neto - Mestrando no Programa de Pós-Graduação em Turismo, da Universidade de Caxias do Sul. Graduado em Turismo (IFAL). Produtor Cultural. E-mail: ernaniviana@gmail.com

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Considerações do Professor Drº Ulisses Neves Rafael*
Prezados Ernani e Edson, antes, deixem-me parabenizá-los pelo feito. Muito importante essa publicação, no sentido de ampliar o debate sobre a temática da identidade alagoana para além dos circuitos intelectuais locais. Muito bom mesmo.

Quanto ao texto, o que mais posso dizer? Ele já foi submetido ao crivo da comissão editorial da revista, o que atesta sua qualidade. A mim particularmente me causou grande prazer a leitura, como aliás, quase tudo que se refere à Alagoas, embora ultimamente muito mais tenha se falado a respeito do que se escrito sobre ela. Fico então bastante satisfeito de ter à mão um material tão rico sobre um tema que tanto me interessa. Isso para não falar de quanto me senti honrado por vocês terem submetido o material a minha apreciação.

Bom, utilizando-se dessa prerrogativa, eis que lanço algumas indagações, mais a título de curiosidade mesmo de minha parte.

Fiquei interessado na informação acerca do sururu como alimento do "imaginário da gente caeté". Existem registros, por exemplo da dieta alimentar desse grupo indígena que o associe ao consumo do sururu naqueles tempos? Não lembro exatamente o que Otavio Brandão afirma a respeito, mas seria um bom mote a se explorar. Ou então, se se trata apenas de figura de linguagem, "a gente caeté", talvez a expressão devesse ser também melhor explorada. Penso, inclusive que tal levantamento poderá ser de grande importância num processo futuro de registro e salvaguarda que, aliás, acho que vocês deveriam encabeçar.

Muitas outras questões provocativas no texto me ocuparam durante a leitura do texto. Fiquei pensando, por exemplo na idéia do sururu como "cultura de resistência". Acho bem interessante o enfoque, mas fiquei me perguntando se esse tipo de alimento é um atributo exclusivo das camadas baixas da população. Quando cheguei um Maceió, lá pelos idos de 1990, para me abrigar no seio de uma família de classe média alta, a impressão que tive é que o significado da importância do molusco na mesa do alagoano é partilhado por todas as camadas sociais e povoa o imaginário de todos de forma semelhante. Comi muito sururu de capote que foi preparado por gente que o comprava diretamente dos pescadores da lagoa e que tinha orgulho de apresentar o prato como uma iguaria exclusivamente alagoana. Se se consegue destrinchar esse partilhamento de identidades, talvez a análise só tenda a crescer.

Bom, a título de encerramento, ao ler o trabalho, lembrei de umas considerações que teci acerca dos primórdios do turismo em Maceió, por conta de uma especialização que fiz em turismo. Lembro que na época defendi uma tese curiosa de que alguns dos primeiros fluxos turísticos que tomaram Maceió como destino, tinham por finalidade o consumo do artesanato do pontal, que não deixa de ser parte desse aglomerado de expressões culturais associadas à vida lacustre. Infelizmente não devo mais conservar cópia desse material, mas é só pra dizer que até nisso a leitura do texto de vocês me fez bem, pois me fez recordar coisas que fui deixando pra trás por pura displicência.

Obrigado por isso também.

Abração

*Tem estágio pós - Doutoral em Cidades e Culturas Urbanas pela Universidade de Coimbra - Portugal; Doutor em Sociologia e Antropologia pela UFRJ; Mestre em Antropologia pela UFPE e graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Paraíba.  

Veja Matéria com ele na Revista Graciliano Ramos aqui
Edição Completa aqui

AGÊNCIA ALAGOAS
SECRETARIA DE ESTADO DA COMUNICAÇÃO
Sururu será Patrimônio Imaterial do Estado de Alagoas
"O pedido de registro foi solicitado formalmente pelo professor da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), Edson Bezerra e pelo estudante de mestrado, Ernani Viana Neto. Após a leitura sobre a relevância do processo e o parecer técnico do Pró-Memória, os conselheiros decidiram pela continuidade do processo de Registro como Patrimônio Cultural Imaterial de Alagoas para o Sururu."


Acesse reportagem completa aqui