quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Sururu: Patrimônio Imaterial de Alagoas




Reunião do Conselho Estadual de Cultura, de Alagoas, em 11 de dezembro de 2014, em que foi declarado o registro do molusco como Patrimônio Imaterial de Alagoas.


 

Quando sururu é o antônimo de confusão.
Por: EDITORIAL do Jornal Gazeta de Alagoas do dia 11 de dezembro de 2014.





CULTURA ALAGOANA. Marco para as discussões acerca da identidade local, Manifesto Sururu ganha nova versão, agora em livro, com lançamento marcado para hoje, às 16h

SURURU FRESCO

Por: LARISSA BASTOS - REPÓRTER

http://gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas/acervo.php?c=257172

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Turismo e Patrimônio Cultural* - Profª Drª Margarita Barretto **

Apresentação: Profº  Drª Márcia Capellano – Coordenadora do PPGTur – Programa de Pós Graduação em Turismo da UCS.



*Aula proferida no dia 24 de outubro de 2014 no bloco 46 da UCS – Universidade de Caxias do Sul.


**Possui doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (1998), mestrado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (1993) e graduação em Turismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1984). Fez estágio de Pós Doutorado em Antropologia na UFSC (2002). É professora da Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), pesquisadora do CNPq Nivel 1C e Professora Voluntária na Universidade Federal de Santa Catarina, onde também cursa Museologia. Atua como professora e orientadora convidada em universidades argentinas (UBA, UNT e UNC). Fundadora do Grupo de Pesquisa CulTuS- Cultura, Turismo e Sociedade, do qual atualmente é vice líder. Tem experiência na área de Educação, e suas pesquisas tem focado a cultura, o turismo e o patrimônio assim como os estudos de antropologia do turismo. Membro efetivo da ABA- Associação Brasileira de Antropologia, e da ANPTUR- Associação Nacional de Pós Graduação em Turismo. Membro do conselho editorial de revistas nacionais e internacionais de turismo e cultura. Em 2008 sua trajetória de pesquisa foi reconhecida pela academia, mediante a outorga do Prêmio Pesquisador do Ano pela ANPTUR.

Fonte: http://lattes.cnpq.br/5628036340035162

Captação de áudio: Ernani Viana

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

"Gostamos de produtos finais e detestamos os processos." Susana Gastal*

                                                                               Clique na imagem para acessar seu blog


O uso exaustivo da palavra ao longo do atual processo de eleições, me levou a algumas reflexões. Mudança tem na palavra novo o seu equivalente e permite retomar o bordão dos primórdios da Modernidade, quando os artistas, em especial, apregoavam o rompimento com o passado e o que ele significasse, em especial na referência às tradições, fossem elas os hábitos rurais na forma de se alimentar, de se divertir, de produzir cultura e arte. O novo dos modernos viria com rupturas de forma e conteúdo. O rótulo ser novo validava qualquer coisa. Culturalmente foi muito fértil, mas, olhando de hoje, sabemos que os modernos colocaram na lata do lixo muitas expressões sociais importantes, como a arquitetura tradicional, a pintura figurativa e realista, as artesanias, as comidas com terroir, substituídas pelos pratos ditos internacionais, seja lá o que isso significasse.

Então, a presença exaustiva da palavra mudança-novo em tempos recentes no Brasil, talvez signifique que nosso país finalmente alcançou a Modernidade e começa a deixar para trás a cultura colonial dos sinhozinhos, dos doutores e dos processos pré-capitalistas, como a exploração escravagista da mão de obra com salários indignos, tratamento autoritário e o que hoje chamamos de assédio moral, que costumava vir inclusive na forma de piadas de fundo racista e sexista. Ou seja, de processos que levavam ao que a literatura trata como cultura do favor: tenho emprego ou promoção no mesmo pelo favor de alguém (mesmo que eu trabalhe legal), o médico-doutor me atende como um favor (mesmo que eu pague muito bem a consulta), ganho bolsa para estudar porque alguém me apadrinhou/me-fez-um-favor e, nessa situação, devo vassalagem e subserviência a quem me fez tal favor.

Infelizmente, ao que parece, não vamos poder pular a Modernidade, para chegar ao contemporâneo. E, infelizmente, quem chegou ao Brasil moderno dos últimos anos, conseguindo romper com muitos processos arcaicos de fome, de exclusão educacional e social, e de vassalagem, ou seja, que melhorou um pouco de vida, ao descobrir que isso não é um ponto de chegada, mas parte de um processo nascido de uma luta que é diária, permanente e exaustiva, não gosta da situação. E clama pela tal mudança-novo, esquecendo que piorar, também é mudança. Esquecendo que a ascensão social é dura e demorada, mas que o descenso social se dá em um piscar de olhos.

Gostamos de produtos finais e detestamos os processos. Sofremos da síndrome do técnico de futebol: todo brasileiro sabe exatamente o que o time deveria fazer, menos o idiota do técnico que ganha milhões de reais para fazê-lo. Nessa condição, já nascemos feitos: não precisamos de longas horas de estudo, do trabalho duro da pesquisa (mesmo que on line) ou mesmo de processos de treinamento, para ganharmos competência e habilidade em seja lá o que for. Temos opinião, e isso nos basta e empodera, ainda mais se ela for expandida nas redes sociais com o mau humor da ressaca da derrota do time do coração, acompanhada de dois ou três palavrões de recheio. Só que opinião, não ajuda ninguém a viver melhor. Opinião não é um saber, mas um sentimento.

Nossa Modernidade, parece, nos condena a ter que suportar a arrogância deseducada dos vaiantes e o mau humor grosseiro das redes sociais, daqueles que perderam o status de sinhozinhos e do direito de se intitularem doutores porque receberam uma função gratificada em uma repartição pública qualquer, ou daqueles que recém chegaram lá (como se dizia antigamente, quem nunca comeu mingau, quando começa a fazê-lo se lambuza...). Daqueles que emigraram e que se acham ilustrados na nova condição de brasileiros auto expatriados se  auto intitulando como superiores, e que de outras terras desconstroem o País e a nós, brasileiros, que aqui ficamos e assumimos a luta diária de nossa construção nacional. Os eles, lá do alto de seus Olimpos estrangeiros, continuam autorizados a votar nas eleições nacionais e o fazem da maneira mais conservadora possível, pois, desde o lado de lá, são os sabem o que é bom para o país. Então, também eles são arautos do Brasil da vassalagem e da subserviência...

Preferi não colocar essas reflexões nas redes socais, porque estou um pouco descrente das mesmas. Mas, gostaria de compartilhar essas reflexões com algumas pessoas mais próximas, como você. Se você me deu a honra de me acompanhar até aqui, agradeço.  

*Professora Doutora Titular na Universidade de Caxias do Sul. Pesquisadora e Orientadora do Programa de Pós-Graduação em Turismo na mesma Universidade. Estágio Pós-Doutoral na Universidade Católica Portuguesa (2012-2013). Doutorado em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2002). Mestrado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1995). Graduação em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1974). 

sábado, 16 de agosto de 2014

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Casamento é Negócio? & Sobre Alagoas, Cinema, Terra e Água




Reexibido ao grande publico pelo Cineclube Filme de Quinta no I Festival de Cinema Universitário de Penedo-AL na noite do sábado de 26 de novembro de 2011.

Primeiro Filme Realizado em Alagoas - 1933

Resumo a partir da cópia

Uma moça (Morena), à espera de um bonde, aceita carona de um cavalheiro insistente que, já à porta da casa dela, a convida para um passeio no domingo. Ela aceita, e se despedem.
Moacyr, rapaz apaixonado por Morena, consegue marcar um encontro com ela para depois da missa de domingo.

Moacyr chega atrasado à refeição na casa dos pais, desculpando-se e incriminando os negócios que lhe tomam o tempo. Entusiasmado, fala da descoberta de petróleo em Riacho Doce, mas recebe do pai apenas um sinal de descrença. Quando sai, o pai reclama da armação de mais um 'conto do vigário'.
Numa bela praça pública, um homem humilde pede fósforo a um estrangeiro (como se saberá depois), de barba, com aparência de rico, que lhe propõe uma forma de ganhar dinheiro. Para tanto,o 'mendigo' deve aguardar instruções, mantendo sigilo absoluto. Como recompensa inicial, receberá uns 'trocados' bastante 'graúdos'.

No domingo, o cavalheiro do início do filme espera ansioso a chegada de Morena à Lagoa Manguaba. Juntos, pegam um barco e no passeio, ele chama a atenção sobre o Pontal da Barra, para as paisagens das margens e aponta para a bela vegetação de coqueiros. Ao descerem, próximos a uma árvore onde se lê o poema "Velho tronco", ele a pede em casamento. Contentes, fazem juras de amor e tornam a passear, abraçados.

Em outra praça pública, dois senhores se encontram. Um deles se gaba de ter comprado ações da Companhia de Petróleo. O outro ridiculariza sua decisão.
Na saída da missa, Morena retorna à sua casa acompanhada de Moacyr, que a pede em casamento. Ela recusa, acusando-o de pobretão e demonstrando possuir ambições na vida.

Em uma agitada rua comercial, Moacyr, no interior de um estabelecimento comercial, compra um jornal, fica exultante e leva a notícia para a mãe, que tricoteia diante de uma máquina de costura: 'A Companhia de Petróleo Nacional S.A. oferece ações para subscritores'. Moacyr expõe a idéia de vender a casa para a compra das ações, mas a mãe recomenda cautela. A Companhia de Petróleo convida a população para o jorro do primeiro jato do 'ouro negro'.

O mendigo caminha por um longo trecho até se encontrar com o veículo em cujo interior se encontra o senhor 'estrangeiro', a quem chama de patrão. Combinam a sabotagem do evento programado pela Companhia Petróleo Nacional. Prepara-se a explosão da torre de petróleo. Um guri, escondido, ouve a conversa. O 'mendigo' recebe uma bomba dentro de uma maleta. Próximo à torre de petróleo, Moacyr aguarda, nervoso, a hora de inauguração. O menino, correndo, o avisa do golpe e denuncia o ardil do 'estrangeiro'. O 'mendigo', com dificuldade, consegue acender o pavio, mas Moacyr e o garoto chegam a tempo de evitar o acidente. Um rapaz traz a notícia do primeiro jorro de petróleo. Morena recebe a visita do noivo. Moacyr chega afoito, mas se mantém incógnito ao ver Morena saindo com o cavalheiro. Para procurar na distância o abrandamento de sua dor, conforme afirma uma cartela, Moacyr resolve abandonar a cidade. Despede-se dos pais e parte. Na varanda da casa, sua mãe chora e o pai a consola perguntando se, afinal, 'hoje em dia casamento é negócio'." 


Categorias
Curta-metragem / Silencioso / Ficção

Material original
35mm, BP, 16q

Data e local de produção
Ano: 1933
País: BR
Cidade: Maceió
Estado: AL

Data e local de lançamento
Data: 1933.04.07
Local: Maceió - AL
Sala(s): Capitólio
Exibição especial: 1933.04.03
Local exibição especial: Maceió - AL
Sala(s): Capitólio
Gênero
Drama

Produção
Companhia(s) produtora(s): Gáudio Filmes
Produção: Rogato, Guilherme

Argumento/roteiro
Roteiro: Rogato, Guilherme

Direção
Direção: Rogato, Guilherme
Co-direção: Lima, Etelvino

Fotografia
Operador: Rogato, Guilherme

Direção de arte
Cenografia: Rogato, Guilherme
Letreiros: Paurílio, Carlos

Locação: Praça Deodoro, Maceió; Sítio Leopoldis, Maceió; Praça D. Pedro II, Maceió; Lagoa Manguaba, Maceió

Identidades/elenco:
Silveira, Bonifácio (Velho)
Girard, Luis
Miranda, Moacir
Cruz, Josefa (Velha)
Fragoso, Agnelo (Vagabundo)
Vieira, Orlando
Montenegro, Armando
Ramalho, Antônio Portugal
Mendonça, Morena
Jucá, Cláudio

Conteúdo examinado:

Fontes utilizadas:
Material examinado
JMTR/SHCA

Fontes consultadas:
CS/FCB
AV/ICB
ACPJ/I
Cinearte
EB/PCA
ACPJ/75

Fonte: http://cinemateca.gov.br

Veja também

Sobre Alagoas, Cinema, Terra e Água - Lis Paim



terça-feira, 24 de junho de 2014

Imaginário Sururu: Um patrimônio a contrapelo. - Revista Rosa dos Ventos. V.6 Nº1 (2014) - PPGTUR - UCS

Clique na imagem para acessar o site


“O ensaio assinado por Ernani Viana Neto e Edson Gouveia Bezerra, da Universidade de Caxias do Sul e da Universidade Estadual do Alagoas, revisita a questão abordando “O Imaginário Sururu: Um patrimônio a contrapelo”, nos instigando a pensar o patrimônio cultural também sob o ponto de vista dos imaginários associados.” Drª Susana Gastal – Editora da Revista Rosa dos Ventos | UCS

Resumo

Este artigo discute o patrimônio cultural, entendendo por tal o conjunto de todos os bens, materiais ou imateriais que, pelo seu valor simbólico para as comunidades que os produzem e abrigam, devam ser preservados. No caso da cidade de Maceió, no Nordeste brasileiro, há a presença do Sururu (Mytella Charruana), um molusco bastante consumido no local. Por essa razão, suas particularidades biológicas e culinárias, sistematizadas em imaginários, estão culturalmente associadas ao pertencimento alagoano. Buscamos demonstrar que este é passível de ser considerado como patrimônio local, em que pese seu viés popular, antepondo-se a posição das elites locais.

Edson de Gouveia Bezerra - Doutor em Sociologia (UFPE). Mestre em Antropologia (UFPE). Graduado
em Ciências Sociais (UFPE). Professor da Universidade Estadual de Alagoas. E-mail: bezerra57@hotmail.com

Ernani Viana da Silva Neto - Mestrando no Programa de Pós-Graduação em Turismo, da Universidade de Caxias do Sul. Graduado em Turismo (IFAL). Produtor Cultural. E-mail: ernaniviana@gmail.com 

Acesse o ensaio aqui

Considerações do Professor Drº Ulisses Neves Rafael*


Prezados Ernani e Edson, antes, deixem-me parabenizá-los pelo feito. Muito importante essa publicação, no sentido de ampliar o debate sobre a temática da identidade alagoana para além dos circuitos intelectuais locais. Muito bom mesmo.



Quanto ao texto, o que mais posso dizer? Ele já foi submetido ao crivo da comissão editorial da revista, o que atesta sua qualidade. A mim particularmente me causou grande prazer a leitura, como aliás, quase tudo que se refere à Alagoas, embora ultimamente muito mais tenha se falado a respeito do que se escrito sobre ela. Fico então bastante satisfeito de ter à mão um material tão rico sobre um tema que tanto me interessa. Isso para não falar de quanto me senti honrado por vocês terem submetido o material a minha apreciação.



Bom, utilizando-se dessa prerrogativa, eis que lanço algumas indagações, mais a título de curiosidade mesmo de minha parte.



Fiquei interessado na informação acerca do sururu como alimento do "imaginário da gente caeté". Existem registros, por exemplo da dieta alimentar desse grupo indígena que o associe ao consumo do sururu naqueles tempos? Não lembro exatamente o que Otavio Brandão afirma a respeito, mas seria um bom mote a se explorar. Ou então, se se trata apenas de figura de linguagem, "a gente caeté", talvez a expressão devesse ser também melhor explorada. Penso, inclusive que tal levantamento poderá ser de grande importância num processo futuro de registro e salvaguarda que, aliás, acho que vocês deveriam encabeçar.



Muitas outras questões provocativas no texto me ocuparam durante a leitura do texto. Fiquei pensando, por exemplo na idéia do sururu como "cultura de resistência". Acho bem interessante o enfoque, mas fiquei me perguntando se esse tipo de alimento é um atributo exclusivo das camadas baixas da população. Quando cheguei um Maceió, lá pelos idos de 1990, para me abrigar no seio de uma família de classe média alta, a impressão que tive é que o significado da importância do molusco na mesa do alagoano é partilhado por todas as camadas sociais e povoa o imaginário de todos de forma semelhante. Comi muito sururu de capote que foi preparado por gente que o comprava diretamente dos pescadores da lagoa e que tinha orgulho de apresentar o prato como uma iguaria exclusivamente alagoana. Se se consegue destrinchar esse partilhamento de identidades, talvez a análise só tenda a crescer.



Bom, a título de encerramento, ao ler o trabalho, lembrei de umas considerações que teci acerca dos primórdios do turismo em Maceió, por conta de uma especialização que fiz em turismo. Lembro que na época defendi uma tese curiosa de que alguns dos primeiros fluxos turísticos que tomaram Maceió como destino, tinham por finalidade o consumo do artesanato do pontal, que não deixa de ser parte desse aglomerado de expressões culturais associadas à vida lacustre. Infelizmente não devo mais conservar cópia desse material, mas é só pra dizer que até nisso a leitura do texto de vocês me fez bem, pois me fez recordar coisas que fui deixando pra trás por pura displicência.

Obrigado por isso também.

Abração

*Tem estágio pós - Doutoral em Cidades e Culturas Urbanas pela Universidade de Coimbra - Portugal; Doutor em Sociologia e Antropologia pela UFRJ; Mestre em Antropologia pela UFPE e graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Paraíba.  

Veja Matéria com ele na Revista Graciliano Ramos aqui 

Edição Completa aqui


AGÊNCIA ALAGOAS
SECRETARIA DE ESTADO DA COMUNICAÇÃO
Sururu será Patrimônio Imaterial do Estado de Alagoas

"O pedido de registro foi solicitado formalmente pelo professor da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), Edson Bezerra e pelo estudante de mestrado, Ernani Viana Neto. Após a leitura sobre a relevância do processo e o parecer técnico do Pró-Memória, os conselheiros decidiram pela continuidade do processo de Registro como Patrimônio Cultural Imaterial de Alagoas para o Sururu."

Acesse reportagem completa aqui





UNEAL – Universidade Estadual de Alagoas


Blog Cultura e Viagem – Fábio Lins


quarta-feira, 21 de maio de 2014

A cultura no mundo contemporâneo - Dr. Renato Ortiz

Dr. Renato Ortiz e Dr. Rafael José dos Santos
Foto: Cíntia Brunetta Moreira



Palestra proferida no dia 20 de maio de 2014 no auditório do Bloco M da UCS - Universidade de Caxias do Sul - RS. Esta compôs a programação do II  SILLPRO - Seminário Internacional de Língua, Literatura e Processos Culturais - sob a temática: Espaço, Território e Região.

Dr. Renato Ortiz  possui graduação em Sociologia – Universite de Paris VIII (1972), mestrado em Sociologia - École des Hautes Études en Sciences Sociales (1972) e doutorado em Sociologia/Antropologia - École des Hautes Études en Sciences Sociales (1975). Atualmente é professor titular da Universidade Estadual de Campinas - SP.

Alguns livros publicados: 

Cultura Brasileira e Identidade Nacional; 
A Moderna Tradição Brasileira; 
Mundialização e Cultura; 
O Próximo e o Distante: Japão e modernidade-mundo; 
Mundialização: saberes e crenças; 
A Diversidade dos Sotaques: o inglês e as ciências sociais.

Captação de audio: Ernani Viana

terça-feira, 6 de maio de 2014

Caxias do Sul: Terra da Fé, do Trabalho e do Festival de Música de Rua*

Crédito: Divulgação 2014

* Frase do prefeito de Caxias do Sul, Alceu Barbosa Velho, na cerimônia de abertura do Festival de 2014

Em recente entrevista a revista Exame o especialista em inovação de produtos David Kelley afirma que grande parte das empresas ainda vive no mito da caverna de Platão, vendo sombras da realidade. Prendem-se com o mesmo grupo de interlocutores ao invés de ir a campo experienciar os desejos manifestos no cotidiano. A arte, por sua expressividade muitas vezes intuitiva, já traz consigo este entendimento. Há três anos o Festival de Música de Rua de Caxias do Sul – RS põe em prática esta visão que o mundo comercial tende a implementar frente aos novos desafios de consolidação de mercados. Não há possibilidade de não se sentir parte do mundo ante a profusão de referencias artísticas e musicais que o festival ambienta. Músicos expressando suas habilidades de significar do Uruguai, Chile, Espanha, Senegal e dos estados de Minas Gerais, Pernambuco e Sergipe, nas pedregosas montanhas do extremo sul do país, demonstram que a arte espelha o que pode ser a vida. Para quem não pôde participar segue uma série de reportagens e vídeos do Festival que deverá servir de modelo para outras terras. 

Saiba mais acessando aqui

Quer conhecer uma cidade? Conheça seus artistas!



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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Carnaval 2014 em Caxias do Sul - RS

Ano de 2014 tem sido um ano de novidades, felizes e muitas novidades. Uma delas foi ter festejado o carnaval na serra gaúcha no bloco Arco da Velha tocando com os demais participantes da oficina do Grupo Zingado.




terça-feira, 25 de março de 2014

Xangô Rezado Alto - Alagoas

No inicio de 2012 tive a honra de compor a equipe de produção do Xangô Rezado Alto - Centenário do Quebra de 1912 em Maceió - AL. O projeto “Xangô Rezado Alto” é financiado com recursos do Fundo Nacional de Cultura do Ministério da Cultura e conta com contrapartida da UNEAL – Universidade do Estado de Alagoas.



Cosme Rogério Ferreira - Pesquisador da Obra de Graciliano Ramos


                         
Percussionista Wilson Santos, Fundador da Orquestra de Tambores de Alagoas 


O Quebra segundo Rocha Rachel:

O Quebra de 1912, ou “quebra quebra”, é um evento de suma importância para se compreender aspectos racistas da cultura alagoana, ou, ao menos, para indicar pistas na compreensão do que resultou, como comportamento contemporâneo, das práticas de exclusão e intolerância para com o universo da cultura africana, sobretudo a religiosa, em Alagoas.

O episódio aconteceu em 1º de fevereiro de 1912, em Maceió, e consistiu na destruição de todas as casas de culto afro-brasileiro existentes na capital. Não se sabe, ao certo, o número de templos destruídos, nem tampouco quantas pessoas estiveram envolvidas no ato criminoso.

As referências historiográficas sobre o fato são esparsas e todas bebem da mesma fonte, que é a sucessão de artigos publicados na sessão “Bruxaria”, de Oséas Rosas, no já extinto Jornal de Alagoas, dias antes (e depois) do episódio. Historiadores como Sávio de Almeida (no artigo “Por amor à tia Marcelina”), Douglas Apratto (no livro A Metamorfose das Oligarquias) ou cronistas da lavra de Félix Lima Jr. (no livro Maceió de Outrora. Vol.2) relatam aspectos desse evento que teve força suficiente para aniquilar ou ao menos intimidar as práticas religiosas então efervescentes na capital provinciana do início do século XX, e que talvez explique muito da nossa situação atual.

Maceió era então uma cidade pequena, e considerando o papel preponderante da Igreja católica na formação do território alagoano, não é difícil imaginar a existência de uma mentalidade grandemente avessa a práticas religiosas outras que não a católica.

Sabe-se, através da literatura especializada, que o movimento que culminou com a destruição das casas de culto afro em Maceió foi insuflado pela Liga dos Republicanos Combatentes – uma entidade civil com força suficiente para instigar e mesmo levar a cabo atos ilegais como invasão a casas oficiais, tiroteios, intimidações. O contexto político da época precisa ser levado em conta.

Trata-se de um momento em que a oposição, liderada por Fernandes Lima, tenta derrubar do poder a bem estabelecida e consolidada Oligarquia Malta. Euclides Malta, representante máximo da situação, era abertamente associado, pelos oposicionistas, aos cultos africanos e a seus representantes. É um fato que Euclides Malta mantinha boa convivência com os pais e mães de santo, como, aliás, é prática dos políticos em todo o País.

A crônica de Félix Lima Jr. afirma que os terreiros se distribuíam por toda a cidade: de Bebedouro ao Farol, da Ponta Grossa à Pajuçara; de modo que se podia ouvir os tambores tocando em dias de festa em praticamente toda a cidade.

Foi o próprio povo, insuflado pela Liga, que destruiu as casas religiosas. Os terreiros foram invadidos, os objetos sagrados foram retirados dos pejis e queimados em praça pública; pais e mães de santo foram espancados e detratados publicamente.

O que restou desse ato de vandalismo foi reunido e entregue, em tom de deboche, à instituição Perseverança e Auxílio dos Empregados do Comércio, e lá ficou durante anos, numa espécie de depósito.

Anos depois, Abelardo Duarte e Théo Brandão recolheram as peças, catalogaram o material e o organizaram, transformando o que escapou do fogo na Coleção Perseverança, de propriedade do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (IHGAL). A coleção encontra-se em exibição no referido Instituto e é constituída por representações antropomórficas dos orixás, assentamentos, instrumentos musicais, jóias, paramentos rituais etc.

É muito importante dar visibilidade a esta coleção, até porque ela é um dos documentos mais importante do Brasil, quiçá da América Latina, sobre a presença negra religiosa no Brasil.

Por Edson Bezerra:

Denominou-se de Quebra, o movimentos de destruição em 1912, de todos os terreiros existentes na cidade de Maceió. Acusados de serem adeptos de Euclides Malta, o qual, durante três mandatos consecutivos – dois de mando próprio e terceiro através de um primo – ocuparia o poder, os praticantes do candomblé tiveram todos os seus terreiros quebrados.

A partir desta data se tornou uma prática comum durante décadas a perseguição e a proibição da prática do Candomblé. Para resistirem, os praticantes do Candomblé passaram a realizarem as suas rezas sem a batida dos atabaques, batendo palmas e as escondidas. Foi esta prática que deu origem a modalidade do que se denominaria de “Xangô rezado baixo”, uma prática única em todo o Brasil. Por ai se entende um pouco os meandros da especificidade da cultura da violência em Alagoas.

 O Quebra, foi um dos mais violentos acontecimentos contra as culturas populares no Brasil, haja visto que não obstante ter sido a prática do Candomblé combatida pelas elites em todo Brasil, em nenhum outro estado se verificou uma perseguição tão sistemática. Durante o Quebra, no espaço de apenas uma semana, de trinta a cinqüenta terreiros de candomblé foram quebrados, os negros presos, insultados, amarrados, humilhados e arrastados pelo centro das ruas da cidade entre choros e ranger de dentes.

Fenômeno de tamanha violência simbólica que ainda hoje revela as suas marcas quando observamos a ausência do Maracatu e o esvaziamento do carnaval de rua como ausências simbólicas do engendramento da especificidade da cultura da violência em Alagoas. Uma das particularidades do Quebra, um intrincado processo político envolvendo facções das classes dominantes e setores marginalizados, é ter sido ele um movimento de negros e mestiços contra negros e mestiços. Ou seja: mestiçagem contra a mestiçagem.

Com Marcos Vasconcelos, Ulisses Neves Rafael e Cadu Ávila no Arquivo Público de Alagoas, dia em que recebi de presente o livro do Ulisses Xangô rezado baixo: Religião e Política na Primeira República
07 de Janeiro de 2014

Mais informações:

Xangô rezado baixo: Religião e Política na Primeira República























A obra analisa os significados da Operação Xangô, levantando detalhes históricos sobre o Quebra de 1912, além de mostrar a situação política e econômica do Estado de Alagoas no momento do episódio.

Pode ser encontrada com o autor Ulisses Neves Rafael clicando aqui

Saiba mais acessando o Blog: http://xangorezadoalto.blogspot.com.br/ 

Vídeos

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Argemiro e a lâmpada das Alagoas: uma experiência na Belle Epoque




Este artigo resgata a experiência pioneira de um inventor nordestino, Argemiro Augusto da Silva, cuja originalidade estava no uso de materiais locais e por estar longe do centro da concentração do conhecimento científico e tecnológico do Império brasileiro e das redes de discussão e produção internacionais sobre eletricidade. O momento da apresentação da lâmpada alagoana coincide com o aumento da pressão pelo emprego da iluminação pública elétrica no Brasil.

Acesse o artigo clicando aqui

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O Povo Brasileiro | Darcy Ribeiro


“Ninguém sabe como o mundo vai ser daqui a 50 anos. Só sabemos uma coisa, será totalmente diferente do que é hoje. Alguém podia imaginar, quando acabou a guerra, que o mundo iria mudar tanto ? É uma reinvenção do mundo que o desenvolvimento está fazendo, então a coisa mais importante para os brasileiros: Preste atenção ! O mais importante é inventar o Brasil que nós queremos. Surgimos da confluência, do entrechoque, do caldeamento do invasor português com índios silvícolas e com negros africanos. Somos uma cultura sincrética, um povo novo que apesar de fruto da fusão de matrizes diferenciadas se comporta como uma só gente sem se apegar a nenhum passado. Estamos abertos é para o futuro. Antes de o Brasil existir como é que era o mundo ? O Brasil nasce sob o signo da utopia, a terra sem males, a morada de Deus” Darcy Ribeiro em O Povo Brasileiro.

Capítulo 1: A Matriz Tupi
Capítulo 2: A Matriz Lusa
Capítulo 3: A Matriz Afro
Capítulo 4: Encontros e desencontros ( A chegada dos europeus, a escravização e a catequese)
Capítulo 5: O Brasil Crioulo
Capítulo 6: O Brasil Sertanejo
Capítulo 7: O Brasil Caipira
Capítulo 8: O Brasil Sulino
Capítulo 9: O Brasil Caboclo
Capítulo 10: Invenção do Brasil