sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Pajuçara - Do Festival do Mar a Festa das Águas

A foto que ilustra o texto é de Lú Santos na apresentação do Coletivo AfroCaeté
na Festa das Águas no dia 08 de dezembro de 2011

Na cidade de Maceió no ano de 1983, foi realizado o I Festival-do-Mar, sua intenção era o aumento do fluxo turístico na primeira quinzena de dezembro em três anos consecutivos. O festival existiu até 1985.

Em cada ano era organizado 11 dias de programação cultural na orla da pajuçara, nas Piscinas Naturais, em sete coqueiros e no circo cultural.

O curioso de ver essa história é que ela começava no dia 08 de dezembro dia de Nossa Senhora da Conceição e de Iemanjá. Neste festival as celebrações da religiosidade Afro cabiam perfeitamente no planejamento e na programação do Festival como um espetáculo da religiosidade popular colorindo o mar de pajuçara com flores e deixando no ar o aroma de alfazemas.

Na extensa programação dos 11 dias de festival os religiosos se encaixavam no primeiro dia de atividades da seguinte forma:

17h – Início da Homenagem a Iemanjá
Local: Ao longo da praia de Pajuçara
Obs.: Exibições de Terreiros ao longo de toda a Enseada até às 23h.

Outra curiosidade foi ver na programação do Festival de 83 a existência de dois Maracatus, um do Colégio Théo Brandão e o outro da Escola Técnica Federal de Alagoas, diminuindo um pouco o hiato existente desta manifestação em nossa capital do Quebra de 1912 aos dias atuais.

Pelo que vemos nem sempre as coisas melhoram com o deslocamento do tempo, infelizmente hoje os grupos da religiosidade tem que buscar na justiça a prática de sua fé, celebração que poderiam parte de nossas paisagens e no inicio do verão em Alagoas dando visibilidade ao nosso povo e maior consistência na relação com quem nos visita, fazendo valer assim a razão de ser do turismo como fator de socialização entre as diversas formas de ver e perceber o mundo.

Tem alguém daquela época ai para confirmar?...rs...abraços

Referencia: História do Turismo em Alagoas – Luís Veras Filho

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Paraíso Desrespeito

video
Matéria da Gazeta de Alagoas 07/12/2011




“A prática política em Alagoas sempre foi antinegra”
Dirceu Lindoso

A frase, que inicia este pequeno rebuscado, foi proferida por Dirceu em sua palestra, no último dia 30 de novembro, no Museu Théo Brandão, cujo tema "Volkskunde oder Folklore - a crise no folclore alagoano" chama bastante atenção.

Dirceu afirma que o problema folclore já começa na etimologia, pois o termo de origem alemã possui maior abrangência significativa que a mais recente e consolidada nomenclatura inglesa, esta, amplamente difundida pelas escolas de estudos humanos dos países anglo-saxões em suas áreas de influencia no pós-guerra.

Juliana Nicolle, Thiago Bianchetti e Dirceu Lindoso

Não irei reproduzir toda a palestra aqui apenas pontuar algumas considerações e relacionar com recentes acontecimentos na cultura alagoana.

Sobre a crise, problemática que motivou a ida da maioria dos presentes, na ótica de Dirceu afirma que a escola dos folcloristas, mais precisamente da elite intelectual viçosense onde encontra em Théo Brandão sua melhor expressão, sempre tutelou as manifestações populares nas sacadas de suas fazendas. Sempre vista na casa grande como uma manifestação ingênua nas crenças místicas pré-industriais dotadas de adornos característicos a cada compreensão, traduzindo uma europa mítica. Não é difícil fazer uma analogia básica desta referência com o processo de origem e das gestões da ASFOPAL através dos tempos.

Deste modo a ausência de manifestações, onde o traçado indígena e negro em Alagoas fossem mais forte, como maracatus e caboclinhos nem sequer aparecessem nas porteiras das propriedades rurais do interior e da zona da mata.

Mais precisamente as manifestações negras encontram subsídios de suas ações culturais na prática de sua religiosidade, sempre intolerada por aqui. Dirceu afirma que todas as igrejas no centro da cidade de Maceió tinham seus posicionamentos calculados de forma estratégica para diminuir a influencia da religiosidade afro na região. Abelardo Duarte que os maracatus tiveram inicio no século XIX e uma sobrevida de 50 anos em Maceió nos bairros do trapiche, levada e no bairro do farol, chegando a desaparecer completamente no carnaval alagoano. Na atualidade poderíamos ter uma potencia carnavalesca em Alagoas, mas justamente pela recusa, consciente ou não, de incorporar os valores e as heranças culturais do nosso povo temos uma prévia que serve como uma grande despedida para “foliar” em outros ares.

Perguntei a Dirceu o que ele achava do ressurgimento de Afoxés, Maracatus e do recente coroamento do Maracatu Nação Acorte de Ayra, fato significativo para historiografia cultural negra em Alagoas já que este maracatu é o primeiro a ter relação direta com a religiosidade afro depois do Quebra de 1912, sinalizado uma nova fase na organização das manifestações populares do estado. Ele foi enfático em falar da influencia de Pernambuco neste processo, e não adianta entronchar a cara, inclusive em grupos de classe média que atuam na cultura, mas não desconsiderou em nenhum momento sua importância para a comunidade local este momento de ascensão e de organização.

Sem querer aprofundar mais sobre as origens de nosso preconceito racial, social e religioso, como esses pequenos indícios, nos faz perceber que não é de se estranhar a mobilização entre os poderes constituídos para Disciplinar as atividades dos praticantes das religiosidades Afro no ultimo dia 08 de Dezembro no litoral Maceioense, deixando os militantes do movimento negro, percussivo, cultural e artístico, e os praticantes da religiosidade preparados para um possível confronto com a força policial para garantir o exercício da sua liberdade de culto sem o patrulhamento da ordem. Com muita força e poder de articulação foi dada a resposta e nunca a orla da pajuçara foi tão alegre.

Para ver mais fotos do dia 08 de dezembro na orla da pajuçara 

Sobre isso será impetrada uma ação no Ministério Público com a seguinte carta*:

Estamos batendo às portas do Ministério Público Estadual para denunciar um ato de intolerância e preconceito religioso do Secretário Municipal de Controle do Convívio Urbano de Maceió, Sr. Galvacy de Assis, veiculado no dia 8 de dezembro, pela TV Gazeta de Alagoas, no programa Bom Dia Alagoas, contra as manifestações religiosas de matriz-africana realizadas no último dia 8 (oito).

Nessa ocasião foi cerceado o direito consagrado em nossa Carta Magna, no art. 5º, VI, que diz:

“é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias”.

A violência perpetrada pelo agente público ao delimitar por conta e risco próprios os espaços geográficos, bem como a limitação de horário rígido para o início das celebrações religiosas e seu tempo de duração, indo além no arbítrio e determinando penalidades: se o horário fosse extrapolado, os religiosos teriam os seus instrumentos sagrados “apreendidos e liberados apenas uma semana depois”.

Sr. Procurador-Geral, Dr. Eduardo Tavares, estamos às vésperas do centenário de um dos evento trágicos perpetrados contra as culturas populares ocorridos no Brasil e, pasme o senhor, ocorreu aqui em Alagoas, quando, no dia 2 de fevereiro de 1912, as elites alagoanas destruíram os principais terreiros dos cultos afro-alagoanos, fato que no decorrer dos anos se tornou uma prática comum, gerando entre os afro-descendentes alagoanos traumas de toda natureza, consequência da repressão contínua a que os adeptos dos cultos e seus descendentes foram submetidos (espancamentos, prisões e a quebra sistemática de seus instrumentos de culto), um fenômeno único em todo o Brasil. Diante de sua singularidade, os estudiosos dos cultos religiosos de matriz africana identificaram-no como o Xangô Rezado Alto, prática esta que, enquanto estratégia de resistência, consistia em os religiosos de matriz africana, ao invés de realizarem os seus cultos sobre os ritmos dos atabaques, substituírem-nos pelas batidas das palmas das mãos, visando fugir da perseguição policial e passando a rezar na clandestinidade.

Nesse sentido, Sr. Procurador-Geral, é lamentável que tal fato por pouco não haja se repetido ontem na praia da Pajuçara, pois a Polícia Militar foi instruída a reprimir as manifestações religiosas dos afro-descententes alagoanos caso extrapolassem as determinações do Sr. Galvacy de Assis, referência feita na citada matéria jornalística veiculada na TV Gazeta de Alagoas, pelo Comandante do Policiamento da Capital, Cel. Batinga, a saber, que teriam os seus instrumentos sagrados “apreendidos e liberados apenas uma semana depois”.


O que queremos é denunciar esse ato de intolerância e discriminação religiosa e que a Constituição Federal seja respeitada em Maceió, sendo tomadas as providências cabíveis na forma da Lei.

Maceió, 11 de dezembro de 2011

*Edson José Gouveia Bezerra - Sociólogo
*Geraldo de Majella Fidelis de Moura Marques – Historiador

Sobre o Episódio Golbery Lessa também escreve:

Alagoanos e alagoados, as restrições espaciais que a prefeitura de Maceió propõe para a manifestação dos cultos afro-alagoanos neste dia 8 de dezembro são emblemáticas da falta de sensibilidade cultural da administração da cidade. Maceió é uma cidade tão mestiça, tão miscigenada como qualquer outra urbe brasileira. É um absurdo querer desconhecer ou restringir as manifestações de sua dimensão afro. O senhor prefeito deseja ser conhecido por ter vindo do povo e por dar espaço em sua gestão aos seus problemas, mas o que vemos é que esse povo reivindicado pelo prefeito é um povo inventado e não o maceioense real, é um povo sem especificidade, sem cultura própria, sem iniciativa política, é um povo submisso às elites. Mas o povo real vai se levantar, está ganhando consciência cultural e política, já conta com novos mediadores culturais e políticos, e saberá dar o troco hoje e nos próximos embates, como na eleição do ano que vem. Nem o Quebra do Terreiros, em 1912, conseguiu acabar com a resistência das religiões afro-alagoanas, mesmo que o Xangô tenha passado a ser rezado baixo por décadas. Hoje seria um bom dia para a desobediência civil generalizada às restrições claramente discriminatórias impostas pela prefeitura, hoje seria um bom dia para que a rebeldia atávica do povo alagoano, que já se encarnou em Zumbi e Vicente de Paula, por exemplo, apareça em todo seu esplendor. Que os atabaques toquem alto e que um povo mestiço mostre a riqueza de suas crenças.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Curso Gratuito de Formação Cineclubista em Arapiraca com Hermano Figueiredo - Vagas Limitadas!


Curso Gratuito de Formação Cineclubista em Arapiraca
com Hermano Figueiredo


Cineclube é uma associação de pessoas que criam e estimulam momentos de exibição, apreciação e problematizam sobre obras cinematográficas.

Fomentar o desenvolvimento de cineclubes é estimular a capacidade criativa das pessoas envolvidas, estimulando proposições que intervenham positivamente na cultura e auxiliar na solução de problemáticas, compreendendo assim outras formas de ver o mundo.

Visamos a preparação de pessoas que venham a desenvolver cineclubes na cidade de Arapiraca, subsidiando de informações e técnicas os possíveis corpos gerenciais para manutenção desta atividade constantemente em comunidades, escolas, universidades e diversos locais públicos aonde a criatividade venha se manifestar.

Conteúdo Programático

O que é cineclubismo?
Conceituação e histórico;
O papel do movimento cineclubista na sociedade;
Lutas, bandeiras e perspectivas.

Cineclube
Formas de organização e funcionamento.

A abordagem analítica de filmes
Estética, mensagem e narrativa;
Contextualização histórica e cultural de obras cinematográficas;
Estimulando o debate;
A habilidade de programar.

Breve histórico de uma longa história
A reprodução/representação da imagem. Das pinturas rupestres ao holograma;
O surgimento da fotografia e o impacto sobre as artes plásticas;
Da lanterna mágica ao cinematógrafo;
Dos irmãos Lumiére ao nascimento de uma linguagem.

A sintaxe cinematográfica
Características fundamentais da imagem fílmica;
Tipos de planos;
Os movimentos de câmera;
Os ângulos de filmagem;
Enquadramento e profundidade de campo;
A construção da narrativa - Dimensão simbólica do filme;
Metáforas e símbolos. 

A estética do Documentário
Abordagem, o tratamento do tema;
Roteiro – Um ponto de partida;
A opção narrativa.



Hermano Figueiredo

Liderança do movimento cineclubista brasileiro, Hermano começou suas atividades organizando sessões de cinema de arte em 1970, no Recife/PE. Numa espécie de olho no olho, e corpo a corpo com o público, faz um trabalho político e performático que chama atenção para a necessidade de canais de difusão para o audiovisual brasileiro. Sua marca é exibir em suportes inusitados, onde expressa uma estética que interage, seduz platéias e provoca reflexão. Hermano também é diretor dos curtas São Luís Caleidoscópio, Choveu e Daí?, O que vale no Vale, A última feira, e das médias-metragens Mirante Mercado, Calabar e Lá vem o Juvenal! Sua última realização foi a iniciação em ficção com o curta Um Vestido para Lia onde divide a direção com Regina Célia Barbosa.

Realização:

Prefeitura Municipal de Arapiraca
Secretaria Municipal de Turismo e Cultura de Arapiraca
Ernani Viana Projetos Culturais

Apoio:

Projeto Filme de Quinta
Cine Primavera
Barracão Cine Clube
Saudáveis Subversivos
Ideário

Serviço

Oficina Gratuita de Formação Cineclubista em Arapiraca

Dias: 10 e 11 de Dezembro de 2011
Horário: 08h às 18h
Local: Auditório da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura de Arapiraca
Inscrições: 82 3521 5313

Vagas Limitadas!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Antiga Maceió



Bellavista Palácio Hotel - Atual Prédio do INSS em frente a Praça dos Palmares - Centro


Para conhecer uma Maceió que há muito não existe mais. Baixem*, descubram o que já foi nossa cidade e divulguem para os amigos. 

*Basta clicar nas imagens


Galeria de Fotos - Maceió Ontem



Histórico - Maceió Antigo




Jaraguá e Bebedouro


Maceió - bondes




Origem de Maceió


Bairros Diversos

Centro



Prado e Levada


Gogó da Ema


Ponta Verde e Farol

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Uma crítica para a crítica


Não há relação tranqüila entre artista e crítica especializada. Do mesmo modo que esta pode servir de instrumento para alavancar a carreira de alguém, esta pode acabar com a de outras. Enquanto houver indústria cultural haverá alguém dando seu “pitaco” sobre o que se deve ouvir, ler, assistir, orientando seu olhar e influenciar em sua percepção, ainda que seja uma inocente dica. Logo abaixo está um relato de Zé Ramalho e sua experiência com os críticos de sua obra. No fim, tirem suas próprias conclusões.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Manifesto Makamãdi* - Ronaldo de Andrade**


Há duas décadas, exatamente no ano 1972, esta Associação Teatral das Alagoas-ATA inaugurava, com a montagem de  “Hoje é dia de rock”, de José Vicente,  no Teatro de Arena Sérgio Cardoso, uma nova estética e uma nova relação com a comunidade de Maceió.

Pela primeira vez, os “meninos da Dona Linda Mascarenhas” ou “os meninos da ATA”, como éramos conhecidos, e sob a direção do mineiro-carioca e cidadão de Maceió Lauro Gomes, realizávamos um espetáculo de relação efetiva com as terras das Alagoas.

Em toda nossa história de espetáculos, montados a partir de 1955, aquela foi a terceira vez que a ATA vivenciara o teatro em plenitude.  As duas montagens anteriores foram:

“Eles não usam black-tie”, de Gianfrancesco  Guarniere (1934 -2006), 1961, sob a direção de Maurício Guimarães e “D­ona Xepa”, de Pedro Bloch (1915-2004), 1963, 1968.  Através delas Maceió se identificou plenamente com o grupo de Linda Mascarenhas ( 1895-1991). Quanto mais se estendeu a temporada, no pequeno palco do Arena, maior público acorria ao teatro para participar. Essa celebração de cumplicidade entre o que era apresentado, a forma da representação dos atores da ATA e o interesse do público que vibrava à cada noite de espetáculo, possuiu significado artístico-cultural poucas vezes proporcionado pelo teatro da terra até os dias atuais. Éramos um grupo formado por estudantes universitários, reunidos em torno de Linda Mascarenhas com o objetivo de fazer teatro amador.

A estética que inauguramos na montagem de “Hoje é dia de rock” foi construída sob o signo das nossas expressões culturais nativas, as mais típicas e as mais contemporâneas à época. Outros espetáculos se sucederam filiados a esta formalização: “O Inspetor Geral”, de Nicolai Gogol, em 1975, “O bravo soldado Schweik”, de Jaroslav Hasec, em 1976 e “A sapateira Prodigiosa”, de Federico Garcia Lorca, em 1977, dirigidos por Lauro Gomes. Banda de pífanos, foguetório, bandeirolas de nossas festas de rua, borboleta de pastoril, alagoanizaram estas clássicas comédias.  A aplicação desses recursos tinha funções políticas e culturais no sentido brechtiniano. Com esta recorrência às expressões de nossa cultura, queríamos mostrar que a representação que fazíamos era peculiar ao nosso contexto sóciopolítico.

O aprofundamento dessa práxis foi realizada de forma indubitável quando a ATA montou “Comeram  o Bispo D. Péro Fernão de Sardinha”, de Luis Sávio de Almeida, em 1980, sob a direção de José Márcio Passos, e “Duvidamos ?”, de Ronaldo de Andrade e Homero Cavalcante, em 1981, sob a direção de Homero Cavalcante. Naqueles momentos confirmávamos o objetivo de fazer teatro que refletisse as idiossincrasias de nossa sociedade.

Passadas mais de duas décadas após a montagem de “Hoje é dia de rock”, durante as quais nos aprofundamos e nos afastamos desses propósitos sócioculturais, criando espetáculos sob outras óticas estéticas, percebemos o quanto Maceió cresceu em população, o quanto se agravou a sua miséria social, o quanto se transformou culturalmente, o quanto as conquistas teatrais dos anos setenta ficaram para trás, quase no esquecimento. Estas ocorrências possuem paralelo no contexto nacional. Elas se justificam no arrefecimento das tensões geradas pela política de exceção cerceadora das liberdades civis, dos anos sessenta e setenta, impingidas ao País pelos militares e classes hegemônicas conservadoras. Chegamos aos anos oitenta sem saber como proceder. O novo ânimo democrático que se estabeleceu, gerou uma certa estupefação nos movimentos artísticos nacionais.

Embora com algumas tentativas de recontextualização nos anos oitenta, o que se depreende da prática teatral de Maceió é o desmantelamento da estrutura de lideranças que sustentava o movimento. Adaptando-se às contingências, outra realidade foi sendo configurada atravês de nova forma de encarar a prática teatral. Surgiram escolas de formação de ator e sindicato, e se estabeleceu o confronto entre os artistas de teatro e os resquícios das estruturas autoritárias vigentes na administração estadual. Tal enfrentamento pode ser explicado pela atribuição de responsabilidade para com as “utilidades públicas” do Estado. As lutas por mudança confinaram o frágil movimento teatral de Maceió dos anos oitenta às fronteiras alagoanas e à orientação de partidos políticos como o PCdoB de Alagoas. Em conseqüência, o teatro de Maceió, anteriormente contextualizado ao teatro amador do Nordeste, se isolou.

A realidade que apontamos é afeta à ATA e à análise dos demais grupos teatrais da cidade que subsistiram e aos que surgiram neste período. Ela denota uma prática teatral controvertida, pois se choca com o contexto onde atua e ao qual deve dedicar atenção e corresponder. Com esta consciência surgiu muito bom teatro nos demais estados do Nordeste. Do Ceará à Pernambuco, e em Sergipe, os trabalhos de construção cênica se evidenciaram, principalmente nos aspectos que privilegiam a encenação em detrimento da direção; a atitude profissional ao invés da amadora; as montagem repletas de signos culturais que comunicam nosa herança ibérica em fusão com a indígena e a africana.

Tais características, além de referendarem a existência particular do Nordeste, promovem a resistência da diversidade cultural, enquanto, artísticamente, ampliam a visão dos procedimentos estéticos teatrais do Brasil, com maior clareza.  Entretanto, elas já foram abordadas em Maceió, na década de sessenta em espetáculos do TAM-Teatro de Amadores de Maceió e de Os Dionysos. Estes grupos tiveram , entre os  últimos trabalhos de suas existências as peças “A história de João Rico”, de Gercino Souza ( 1928-1981) e Volney Leite (1930-2001) em 1966 e “O auto da paixão e morte do Mateu”, de Luiz Gutemberg, em 1967. Nesta vertente, ainda devem ser acrescidos outros trabalhos indicadores da alagoanidade do teatro realizado em Maceió: “Riacho Doce”, em 1967 e “Bossa Nordeste”, em 1968, de Lauro Barros Silva Filho. Integrado a essa prática de preocupações sócio culturais, Pedro Onofre enfatizou na sua dramaturgia a necessidade de transformação da realidade socialmente cruel das Alagoas. Ressalte-se aqui a peça “Terra Maldita”, encenada pelo TCN-Teatro Cultura do Nordeste, em 1963. A raiz histórica do teatro de motivação sóciocultural gerou na sociedade de Maceió interesse pelos espetáculos. O sucesso de público alcançado respalda esta conclusão.

Todo artista de teatro persegue o sucesso para suas criações. O seu alcance garante a continuidade dos trabalhos e a sobrevivência condigna do criador. A arte do teatro prescinde de significados social e cultural. Se aqueles espetáculos realizados com tanta honestidade artística nas Alagoas foram esquecidos pelo público, mister se faz que se lhes resgate  e noticie a importância, como exemplos de caminhos a serem seguidos nos tempos atuais.

A ATA-Associação Teatral das Alagoas, grupo remanescente do movimento teatral dos anos cinqüenta, de par com o privilégio de ser testemunha e participante da construção da história do “Moderno Teatro de Maceió”, se atribui o dever  artístico-social de refletir sobre a importância da abordagem cultural no teatro de Alagoas; e norteada pelas conclusões alcançadas, trazê-las à público e adotá-las como estratégias para a desobstrução dos canais de comunicação efetiva e transformadora entre palco e público das Alagoas.

Portanto, vem de público manifestar o seu compromisso com a construção de um teatro que: 

MANTENHA-SE EM ESTADO DE ALERTA, CRÍTICO, COM A VIVACIDADE CAPAZ DE ABSORVER, DIGERIR E POR EM PRÁTICA CONHECIMENTOS CÊNICOS, ADEQUANDO-OS ÀS CONDIÇÕES DE UM TEATRO QUE SE PROCLAME ALAGOANO.

ATA-Associação Teatral das Alagoas
aos quarenta anos de sua fundação
no ano do centenário de Linda Mascarenhas.

Maceió, 12 de outubro de 1995.

*Macamandi. Expressão usada pelo dramaturgo Luis Sávio de Almeida (V.Farinhada, tragicomédia alagoana). Variação de Macaxeira e Mandioca (Macaxeira. Var. de Macaxera < Tupi MAKA’XERA). S.F. Bras., N.e NE.: Mandioca (do Tupi Mãdi’og). Planta leitosa, da família das Enforbiáceas (Manihot utilíssima), cujos grossos tubérculos radiculares ricos em amido, são de largo emprego na alimentação, e do qual há espécies venenosas, que servem para fazer farinha de mesa. MAKAMÃDI(Var.de MACAMANDI)

**Ronaldo de Andrade - Mestre em Artes ECA/ESP, Professor de História do Teatro e História do Teatro Brasileiro do curso de Artes Cênicas da UFAL. Autor das peças: "Duvidamos?", "Estrela Radiosa","Não inventei o Teatro", "A cidade e o Poeta", "Dona Magna vai ao trono". É ator e presidente da ATA.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

SET de Pedro da Rocha no Projeto Filme de Quinta




Programação do mês de setembro no Filme de Quinta

www.cinefilmedequinta.blogspot.com

www.facebook.com/filmedequinta

Edição: Ernani Viana

Trilha: " A Briga do Cachorro com a Onça"
Banda de Pífano Santo Antônio do Tabuleiro do Martins. Maceió-AL


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

História do Turismo de Alagoas

































O livro História do Turismo em Alagoas é um marco na literatura técnica turística no estado. Não é um arrazoado teórico, até mesmo por que a atividade não era mensurada como ciência, até hoje é difícil explicar que a área fornece um vasto campo de pesquisa.


Escrita no final dos anos 70, o livro nos revela uma Maceió dando seus primeiros passos na estruturação da cidade enquanto produto a ser difundido e consumido por viajantes.

É visto, além das fotos dos turistas em visita ao Gogó da Ema, confirmando que o coqueiro realmente era uma curiosidade nacional, o início das programações culturais da cidade e dos primeiros vinte anos de atividade da EMATUR, hoje SEMPTUR, estes, órgãos municipais de regulação da atividade turística de Maceió.

O livro ainda pode ser encontrado nos alfarrábios do centro da cidade de Maceió, em frente ao paredão da Assembléia Legislativa de Alagoas.

Ficha:

História do Turismo de Alagoas (1991)
Luis Veras
224 páginas

sábado, 27 de agosto de 2011

Nossa Senhora dos Prazeres


Linda música de Mácleim Damasceno e Ronaldo de Andrade em Homenagem a Padroeira da cidade de Maceió.
Logo abaixo é possível escutar a música como também está disponível o link para baixar o arquivo. Prestigiem e divulguem a musicalidade alagoana.



Clique aqui para baixar

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Como Desenvolver um Produto Cultural em Alagoas? Um exemplo das possibilidades de implantação de um Turismo de Base Comunitária.



A implementação do Turismo de base Comunitária pode se configurar como excepcional mecanismo de desenvolvimento sustentável de povoações tradicionais. Esta apresentação tem como finalidade retratar a realidade cultural em Alagoas e configurar a viabilidade de ações articuladas entre comunidade e poder público.

Palestrante: Ernani Viana
Graduado em Turismo pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Alagoas; Pós-Graduando em Elaboração de Projetos pelo CESMAC; Pesquisador em Cultura popular, identificação de perfil consumidor e segmentação de mercado; Idealizador e Coordenador de Projetos Culturais.

Data: 02 de junho 14h

Local: Universidade Federal de Alagoas – Unidade de Ensino de Penedo
Avenida Beira Rio, s/n – Centro Histórico.

Realização: Universidade Federal de Alagoas – Unidade de Ensino de Penedo; DCE-UFAL “Gestão CORRENTEZA”; Ernani Viana Projetos Culturais.

Entrada Franca!

Mais informações:  8878-1465  / 3551-2784