sexta-feira, 13 de julho de 2018

Encaminhada ação para tornar Monumento a Ogum Patrimônio Cultural de Caxias do Sul


Monumento ao Orixá Ogum. É considerado pelos Umbandistas e Povos de Terreiro como Patrono de Caxias do Sul. 
Foto: Ernani Viana Neto

Vereador Rafael Bueno intermediou encontro entre representantes da religião e entidade cultural

O vereador Rafael Bueno/PDT intermediou na tarde desta quinta-feira (12/07) um encontro entre representantes da umbanda e integrantes do Conselho de Política Cultural de Caxias do Sul afim de se iniciarem os encaminhamentos para tornar o Monumento a Ogum Patrimônio Cultural de Natureza Material do município. Entre as 60 pessoas presentes, Saul de Medeiros, presidente da Associação de Umbanda de Caxias do Sul, falou em nome dos religiosos e agradeceu o início das tratativas. Ele lembrou que Caxias do Sul é o único município do Brasil com uma praça homenageando um babalorixá, a Praça Lauro de Oxum, onde o monumento a Ogum está localizado, na Perimetral Sul. A comunidade umbandista elegeu Ogum patrono de Caxias do Sul.

Maria Cecilia Pozza, presidente do Conselho Municipal de Política Cultural, e Ernani Viana da Silva Neto, da área do patrimônio da entidade, explicaram que o dossiê entregue hoje a eles pela Associação de Umbanda será protocolado nos próximos dias no Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural. O COMPACH deve se pronunciar sobre o pedido de tombamento em cerca de quatro meses.  O vereador Bueno destacou a importância de tornar o bem patrimônio cultural em respeito à diversidade religiosa e por que a umbanda é uma religião acolhedora e que não faz diferenciações entre as pessoas.


Foto: Daniel Corrêa

"Todos são bem recebidos e sempre estamos preocupados em preservar a inclusão e livre manifestação das religiões em nossa cidade", destacou o parlamentar, que lamentou o fato de a prefeitura ter retirado dos umbandistas o Santuário Ecológico Reino dos Orixás, no bairro Cruzeiro, em um "ato de desrespeito aos milhares adeptos da religião".

Para Saul, a Praça e o Monumento a Ogum são conquistas que colocaram Caxias do Sul como cidade que dá enorme atenção e reconhece a diversidade cultural e religiosa.

"Esse encaminhamento como patrimônio material reforça ainda mais a importância da religião", diz Saul.

Cecilia e Ernani destacaram que esta é uma causa centrada na fé e no trabalho e que por isso merece todo o respeito nesse encaminhamento.

Foto: Daniel Corrêa

Para entender

Ogum é o deus do ferro, a divindade que ergue a espada e fabrica o ferro, transformando-o no instrumento de luta. É o padroeiro de todos os que manejam ferramentas: ferreiros, barbeiros, agricultores, cirurgiões, tatuadores, mecânicos, motoristas de caminhões e maquinistas de trem. É o orixá da tecnologia.

Câmara Municipal de Caxias do Sul


Jornal O Pioneiro – Caxias do Sul
Pedido13/07/2018 | 08h45
Atualizada em 13/07/2018 | 08h46

Conselho Municipal deve se pronunciar em quatro meses


Para escutar:

Para assistir:

segunda-feira, 30 de abril de 2018

MENSAGEM DA UNESCO PARA O DIA INTERNACIONAL DO JAZZ - 2018

26.04.2018 - UNESCO Office in Brasilia

Mensagem de Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Internacional do Jazz, 30 de abril de 2018

Dizzy Gillespie (1917-1993)

A UNESCO tem o orgulho de comemorar o 7º Dia Internacional do Jazz, em 30 de abril de 2018. Este é um dia para homenagear o jazz e seu legado duradouro, assim como para reconhecer o poder que esse gênero musical tem para unir as pessoas.

O jazz tem suas raízes na luta por liberdade e na resistência contra a opressão. Esse gênero musical, com seus vários estilos, foi abraçado e integrado a inúmeras culturas, transformando-se em novas formas de expressão, ressoando infinitamente com a diversidade de canções e sons ao redor do mundo. A multiplicidade das formas por meio das quais o jazz foi costurado no tecido de culturas locais, nacionais e indígenas demonstra a sua eminência e a sua relevância. Ele falou, e continua a falar, para pessoas de todas as origens linguísticas, políticas e econômicas, ao seguir sua trajetória original de expressar a liberdade, a dignidade e os direitos humanos.

A mensagem pela liberdade está enraizada no coração desse gênero, que é definido pela improvisação. A habilidade de os músicos se reunirem e escutarem, tocarem e promoverem o intercâmbio artístico por meio dessa expressão de livre fluxo reflete o espírito dos movimentos de libertação em todo o mundo. Como diz com frequência o grande saxofonista Wayne Shorter: “No jazz, acontece como na vida: não é possível ensaiar o desconhecido”. O jazz destaca a beleza de se viver o momento, de ter coragem de correr riscos, não apenas individual, mas coletivamente, de explorar o indefinido, muitas vezes as águas escuras do que é possível ou mesmo inimaginável, por uma pessoa ou um grupo.

Hoje, o Dia Internacional do Jazz será celebrado em mais de 190 países. Músicos, promotores de eventos, professores, estudantes e fãs do jazz serão mobilizados em todo o mundo com eventos que vão desde pequenos concertos a performances que irão durar vários dias. As atividades serão realizadas em escolas, museus, centros comunitários, universidades, cafés e clubes de jazz.

Este ano, a cidade de São Petersburgo será a Cidade Anfitriã Mundial. Foi lá que, no início dos anos 1920, surgiu o jazz russo, com as universidades e as principais instituições políticas e econômicas abraçando o gênero desde o início, o que levou ao estabelecimento da primeira Sala Filarmônica de Jazz do país.

Em São Petersburgo, serão realizadas oficinas, aulas-mestras, exibições de filmes, performances e concertos com estudantes russos de todo o país. O All-Star Global Concert reunirá artistas de toda a Rússia, da região e do mundo, criando uma mistura única de música que certamente irá contribuir para um evento memorável, com a participação de lendas como o Embaixador da Boa Vontade da UNESCO, Herbie Hancock, e do jazzista russo Igor Butman.

A UNESCO tem o prazer de colaborar com o Instituto de Jazz Thelonious Monk, com a cidade de São Petersburgo e com a Fundação Igor Butman para a comemoração do Dia Internacional do Jazz de 2018.

É o meu desejo que você possa se juntar a nós para que, juntos, possamos celebrar este importante dia, que pode nos aproximar um pouco mais.

Fonte: UNESCO

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Dossiê Serra da Barriga, Parte Mais Alcantilada – Quilombo dos Palmares.


A publicação traz o conteúdo da pesquisa sobre a Serra da Barriga, em União dos Palmares (AL), reconhecida como Patrimônio Cultural do MERCOSUL, desde 2017. O estudo foi realizado em parceria pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Fundação Cultural Palmares, responsável pela administração do Parque Memorial Quilombo dos Palmares. O local é reconhecido como símbolo de luta e resistência dos escravos no Brasil e referência cultural dos nossos povos afrodescendentes.


A instalação do Comitê Gestor da Serra da Barriga, realizado no ultimo dia 27, conta com representantes de comunidades de capoeiristas, religiões de matriz africana, quilombolas, junto a membros de instituições parceiras, das três esferas do governo. O Plano de Gestão da Serra da Barriga prevê a instalação de um Centro de Interpretação de Referências Culturais Afro-brasileiras, a partir de um concurso internacional de projetos. O Comitê também se propõe a desenvolver um projeto de turismo de base comunitária, com as comunidades locais. “O reconhecimento da Serra da Barriga como Patrimônio Cultural do MERCOSUL gera uma nova dinâmica de atuação interinstitucional dos parceiros já envolvidos na gestão do sítio, além de incorporar novos atores nas ações de valorização do local”, destaca o diretor do Departamento de Cooperação e Fomento do Iphan, Marcelo Brito.

Fonte: IPHAN


Clique na imagem para descarregar Dossiê

Serra da Barriga

Alagoas possui um rico acervo arqueológico com vestígios de ocupação humana de mais de oito mil anos. Sobressaem-se os sítios líticos e cerâmicos, e de pintura rupestre. Entre eles, estão os grafismos rupestres da região ribeirinha do rio São Francisco. Nos matacões e abrigos sob as rochas do São Francisco, são encontrados painéis que intercalam elementos gráficos de diferentes tradições rupestres. Destacam-se, também, as diversas oficinas líticas presentes no Estado, atestando uma importante diversidade comportamental pré-histórica.

O patrimônio arqueológico apresenta alta incidência de sítios contendo componentes de cemitérios, indígenas representados pela grande quantidade de urnas funerárias frequentemente encontradas, as chamadas “igaçabas”, especialmente na região do Agreste Alagoano. Nesta região, vêm sendo identificados vários sítios arqueológicos especialmente nos municípios de Arapiraca, Anadia e Limoeiro de Anadia.

No Estado, há um vasto campo para pesquisas de arqueologia histórica como os vestígios da ocupação holandesa, entre eles o Forte Maurício sobre o qual foi construída a cidade de Penedo. Ao longo de 2010, foram feitas intervenções no sítio Bica das Freiras, importante estrutura de fornecimento de água para a antiga vila. O mesmo acontece nas regiões relacionadas à presença do Quilombo de Palmares, sendo excepcionalmente importante a Serra da Barriga que é objeto de pesquisa, há décadas.

A diversificação das atividades econômicas locais levou à realização de diversos projetos de arqueologia preventiva, contribuindo para ampliar o mapa do patrimônio arqueológico alagoano. Impulsionado pelas descobertas, o Iphan atua na região com a equipe da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) desenvolvendo pesquisas. Entre os resultados obtidos, observa-se a presença de grande quantidade de material cerâmico associado à tradição Aratu, em sítios onde a presença de urnas funerárias é marcante.

Serra da Barriga - Localizada no município de União dos Palmares, foi inscrita no Livro do Tombo Arqueológico, Etnografico e Histórico, em 1986. Entre os séculos XVII e XVIII, negros, brancos e índios organizaram a República dos Palmares. Começou a constituir-se em 1630, durante o período de lutas contra os holandeses e da economia canavieira. No século XVIII, estabeleceu-se na Serra da Barriga o Quilombo dos Macacos, sede do Quilombo dos Palmares.

O governador eleito e vitalício, Zumbi, e seu comando superior residiam na capital, a Cidade Real dos Macacos, atual União dos Palmares. A população total chegou a 30.000 pessoas, agrupadas em povoados. Em torno de cada um deles existia uma área de agricultura e pecuária onde todos trabalhavam. Não podendo lutar contra o Exército e suas armas bélicas, os quilombolas palmarinos foram exterminados em 14 de maio de 1697. Ainda se conservam, nas proximidades da Serra, as últimas pedras das trincheiras onde se abrigaram durante a luta.

Fonte: IPHAN