segunda-feira, 30 de abril de 2018

MENSAGEM DA UNESCO PARA O DIA INTERNACIONAL DO JAZZ - 2018

26.04.2018 - UNESCO Office in Brasilia

Mensagem de Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Internacional do Jazz, 30 de abril de 2018

Dizzy Gillespie (1917-1993)

A UNESCO tem o orgulho de comemorar o 7º Dia Internacional do Jazz, em 30 de abril de 2018. Este é um dia para homenagear o jazz e seu legado duradouro, assim como para reconhecer o poder que esse gênero musical tem para unir as pessoas.

O jazz tem suas raízes na luta por liberdade e na resistência contra a opressão. Esse gênero musical, com seus vários estilos, foi abraçado e integrado a inúmeras culturas, transformando-se em novas formas de expressão, ressoando infinitamente com a diversidade de canções e sons ao redor do mundo. A multiplicidade das formas por meio das quais o jazz foi costurado no tecido de culturas locais, nacionais e indígenas demonstra a sua eminência e a sua relevância. Ele falou, e continua a falar, para pessoas de todas as origens linguísticas, políticas e econômicas, ao seguir sua trajetória original de expressar a liberdade, a dignidade e os direitos humanos.

A mensagem pela liberdade está enraizada no coração desse gênero, que é definido pela improvisação. A habilidade de os músicos se reunirem e escutarem, tocarem e promoverem o intercâmbio artístico por meio dessa expressão de livre fluxo reflete o espírito dos movimentos de libertação em todo o mundo. Como diz com frequência o grande saxofonista Wayne Shorter: “No jazz, acontece como na vida: não é possível ensaiar o desconhecido”. O jazz destaca a beleza de se viver o momento, de ter coragem de correr riscos, não apenas individual, mas coletivamente, de explorar o indefinido, muitas vezes as águas escuras do que é possível ou mesmo inimaginável, por uma pessoa ou um grupo.

Hoje, o Dia Internacional do Jazz será celebrado em mais de 190 países. Músicos, promotores de eventos, professores, estudantes e fãs do jazz serão mobilizados em todo o mundo com eventos que vão desde pequenos concertos a performances que irão durar vários dias. As atividades serão realizadas em escolas, museus, centros comunitários, universidades, cafés e clubes de jazz.

Este ano, a cidade de São Petersburgo será a Cidade Anfitriã Mundial. Foi lá que, no início dos anos 1920, surgiu o jazz russo, com as universidades e as principais instituições políticas e econômicas abraçando o gênero desde o início, o que levou ao estabelecimento da primeira Sala Filarmônica de Jazz do país.

Em São Petersburgo, serão realizadas oficinas, aulas-mestras, exibições de filmes, performances e concertos com estudantes russos de todo o país. O All-Star Global Concert reunirá artistas de toda a Rússia, da região e do mundo, criando uma mistura única de música que certamente irá contribuir para um evento memorável, com a participação de lendas como o Embaixador da Boa Vontade da UNESCO, Herbie Hancock, e do jazzista russo Igor Butman.

A UNESCO tem o prazer de colaborar com o Instituto de Jazz Thelonious Monk, com a cidade de São Petersburgo e com a Fundação Igor Butman para a comemoração do Dia Internacional do Jazz de 2018.

É o meu desejo que você possa se juntar a nós para que, juntos, possamos celebrar este importante dia, que pode nos aproximar um pouco mais.

Fonte: UNESCO

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Dossiê Serra da Barriga, Parte Mais Alcantilada – Quilombo dos Palmares.


A publicação traz o conteúdo da pesquisa sobre a Serra da Barriga, em União dos Palmares (AL), reconhecida como Patrimônio Cultural do MERCOSUL, desde 2017. O estudo foi realizado em parceria pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Fundação Cultural Palmares, responsável pela administração do Parque Memorial Quilombo dos Palmares. O local é reconhecido como símbolo de luta e resistência dos escravos no Brasil e referência cultural dos nossos povos afrodescendentes.


A instalação do Comitê Gestor da Serra da Barriga, realizado no ultimo dia 27, conta com representantes de comunidades de capoeiristas, religiões de matriz africana, quilombolas, junto a membros de instituições parceiras, das três esferas do governo. O Plano de Gestão da Serra da Barriga prevê a instalação de um Centro de Interpretação de Referências Culturais Afro-brasileiras, a partir de um concurso internacional de projetos. O Comitê também se propõe a desenvolver um projeto de turismo de base comunitária, com as comunidades locais. “O reconhecimento da Serra da Barriga como Patrimônio Cultural do MERCOSUL gera uma nova dinâmica de atuação interinstitucional dos parceiros já envolvidos na gestão do sítio, além de incorporar novos atores nas ações de valorização do local”, destaca o diretor do Departamento de Cooperação e Fomento do Iphan, Marcelo Brito.

Fonte: IPHAN


Clique na imagem para descarregar Dossiê

Serra da Barriga

Alagoas possui um rico acervo arqueológico com vestígios de ocupação humana de mais de oito mil anos. Sobressaem-se os sítios líticos e cerâmicos, e de pintura rupestre. Entre eles, estão os grafismos rupestres da região ribeirinha do rio São Francisco. Nos matacões e abrigos sob as rochas do São Francisco, são encontrados painéis que intercalam elementos gráficos de diferentes tradições rupestres. Destacam-se, também, as diversas oficinas líticas presentes no Estado, atestando uma importante diversidade comportamental pré-histórica.

O patrimônio arqueológico apresenta alta incidência de sítios contendo componentes de cemitérios, indígenas representados pela grande quantidade de urnas funerárias frequentemente encontradas, as chamadas “igaçabas”, especialmente na região do Agreste Alagoano. Nesta região, vêm sendo identificados vários sítios arqueológicos especialmente nos municípios de Arapiraca, Anadia e Limoeiro de Anadia.

No Estado, há um vasto campo para pesquisas de arqueologia histórica como os vestígios da ocupação holandesa, entre eles o Forte Maurício sobre o qual foi construída a cidade de Penedo. Ao longo de 2010, foram feitas intervenções no sítio Bica das Freiras, importante estrutura de fornecimento de água para a antiga vila. O mesmo acontece nas regiões relacionadas à presença do Quilombo de Palmares, sendo excepcionalmente importante a Serra da Barriga que é objeto de pesquisa, há décadas.

A diversificação das atividades econômicas locais levou à realização de diversos projetos de arqueologia preventiva, contribuindo para ampliar o mapa do patrimônio arqueológico alagoano. Impulsionado pelas descobertas, o Iphan atua na região com a equipe da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) desenvolvendo pesquisas. Entre os resultados obtidos, observa-se a presença de grande quantidade de material cerâmico associado à tradição Aratu, em sítios onde a presença de urnas funerárias é marcante.

Serra da Barriga - Localizada no município de União dos Palmares, foi inscrita no Livro do Tombo Arqueológico, Etnografico e Histórico, em 1986. Entre os séculos XVII e XVIII, negros, brancos e índios organizaram a República dos Palmares. Começou a constituir-se em 1630, durante o período de lutas contra os holandeses e da economia canavieira. No século XVIII, estabeleceu-se na Serra da Barriga o Quilombo dos Macacos, sede do Quilombo dos Palmares.

O governador eleito e vitalício, Zumbi, e seu comando superior residiam na capital, a Cidade Real dos Macacos, atual União dos Palmares. A população total chegou a 30.000 pessoas, agrupadas em povoados. Em torno de cada um deles existia uma área de agricultura e pecuária onde todos trabalhavam. Não podendo lutar contra o Exército e suas armas bélicas, os quilombolas palmarinos foram exterminados em 14 de maio de 1697. Ainda se conservam, nas proximidades da Serra, as últimas pedras das trincheiras onde se abrigaram durante a luta.

Fonte: IPHAN

quarta-feira, 14 de março de 2018

Mulheres Quilombolas e Identidades Culturais


O projeto propõe uma série de intervenções voltadas para a inclusão produtiva das mulheres do Quilombo Tabacaria, comunidade situada no município de Palmeira dos Índios (AL), composto por 89 (oitenta e nove) famílias, sendo uma das comunidades tradicionais que mais cristalizam a  exclusão social no Estado de Alagoas. Sem acesso às oportunidades de formação educacional, às tecnologias econômicas, produtivas e hídricas, imersos em um ambiente de baixa autoestima e ausência de oportunidades de ascensão social, a melhoria na qualidade de vida destas pessoas se mantêm como um horizonte distante e inalcançável. A histórica invisibilidade frente às iniciativas públicas propiciou a marginalização dessa população, que, ao longo dos anos, foram perdendo a capacidade organizativa comunitária, fragilizando o conjunto das suas estratégias de segurança alimentar e geração de trabalho e renda – processo quase sempre acompanhados pela perda de identidade cultural e distanciamento de suas práticas e conhecimentos ancestrais.

Nesse contexto, torna-se necessário promover o associativismo e a economia justa e solidária através da inclusão produtiva das mulheres quilombolas, criando laços e parcerias capazes de idealizar e implementar empreendimentos sustentáveis que utilizam e preservam seus recursos tangíveis - territoriais, ambientais, climáticos, econômicos - e Intangíveis - organização comunitária, relações solidárias, luta por direitos e traços identitários e culturais diferenciais - presentes na comunidade.

Para tanto, apresentamos essa proposta de intervenção que procura disponibilizar instrumentos que contribuirão para o processo pedagógico de aprendizagem e de geração de trabalho e renda das mulheres por meio da implantação e gestão de 04 (quatro) unidades de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável - PAIS, do levantamento e promoção dos potenciais turísticos étnicos e culturais do quilombo através da construção de roteiros turísticos, realização de 03 exposições fotográficas e a produção de 01 vídeo promocional/ voltado para o incentivo ao turismo, conciliando a construção de cardápio local com o fomento a estruturação de 01 (uma) cozinha/restaurante comunitário e implementação e gestão de 01 (um) Fundo Rotativo Solidário das Mulheres Quilombolas.

A missão principal do Projeto é capacitar e assessorar o grupo de mulheres nessa jornada rumo ao desenvolvimento, reencontro de sua identidade ancestral e cidadania, e conforma-se como um capital de giro cedido às mulheres para que possam desenvolver empreendimentos solidários. Os empreendimentos serão geridos pelas mulheres de maneira associativa, rotativa e alternada, como forma de valorização e utilização do patrimônio social, cultural e ambiental do Quilombo Tabacaria. Para tanto, foram estabelecidas uma série de parcerias com organizações da sociedade civil organizada, do poder público municipal e federal.